Opinião
O STF NA CORDA BAMBA
Sem o mínimo pingo de dúvida, a demora no julgamento do famigerado mensalão tem deixado o Supremo Tribunal Federal em verdadeira corda bamba. Primeiro, o ministro Ricardo Lewandowski, na condição de revisor, excedeu-se em irresponsabilidade ao afirmar publicamente que os delitos de que trata a ação criminal iriam prescrever, o que não deixa de ser uma antecipação de julgamento, tema defeso a qualquer magistrado. Depois, ele próprio vem concorrendo para o retardamento do tal julgamento, pois, enquanto todos os demais ministros já têm os seus votos praticamente redigidos, a começar pelo relator, como não poderia deixar de ser, o eminente ministro tem se mostrado sempre reticente, vacilante, com relação à feitura do voto, apesar da cobrança indireta que tem sido feita pelos seus pares. Doutra banda, o ministro José Antonio Dias Toffoli, ex-advogado do PT, cuja namorada é advogada de alguns integrantes da máfia do mensalão, reiteradas vezes tem afirmado que ainda não sabe se vai ou não averbar-se suspeito para funcionar no dito processo, enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que ele iria, sim, ser um dos julgadores da ação, consoante matéria publicada na revista Veja. Diante desses fatos, qualquer juiz de instância inferior já teria afirmado em alto e bom som que, por questão de foro íntimo, não atuaria no dito processo. É questão de bom senso, consciência sadia, altivez e isenção que assim o declarasse, o que o faria elevar-se bastante no seu mister de julgador, principalmente junto à opinião pública, que não perdoa a indecisão. A continuar na corda bamba, como se encontra, e se porventura vier a atuar na ação e votar a favor dos protagonistas do mensalão, a conclusão induvidosa é que se submeteu aos caprichos do ex-presidente Lula, que o nomeou, e teria sido um dos que poderiam dar ouvidos ao todo-poderoso, que faz questão de manter-se no poder, mesmo sem exercer nenhum cargo. Depois de tudo isso, ainda surge o encontro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o ministro Gilmar Mendes, do STF, em uma reunião maquinada pelo ex-ministro Nelson Jobim, o mesmo que confessou ter fraudado alguns artigos da Constituição Federal, à época da sua apreciação e votação, em 1988, o que aumentou ainda mais o balançar da corda bamba em que tenta se equilibrar o Supremo Tribunal Federal.