Opinião
A EUCARISTIA, RITO SAGRADO
Meu caro leitor, no último Corpus Christi, o Santo Padre Bento XVI fez uma estupenda homilia. Na sua fala, tratou do sentido do sagrado no cristianismo. Tema tão atual, quando tudo vai se dessacralizando, inclusive na Igreja! Eis algumas palavras suas: ?A novidade cristã, quanto ao culto, foi influenciada por uma mentalidade sacularizada dos anos 60 e 70 do século passado. É verdade... que o centro do culto já não está mais nos ritos e nos sacrifícios antigos, mas no próprio Cristo, na Sua pessoa, na Sua vida, no Seu mistério pascal. E, todavia, desta novidade fundamental não se deve concluir que o sagrado não existe mais, mas que encontrou sua realização em Jesus Cristo, amor divino encarnado. A Carta aos Hebreus... nos fala da novidade do sacerdócio de Cristo, ?sumo sacerdote dos bens vindouros? (Hb 9,11), mas não diz que o sacerdócio acabou... Ele não aboliu o sagrado, mas o levou ao cumprimento, inaugurando um novo culto, que é, sim, plenamente espiritual, mas que, todavia, até que estejamos em caminho no tempo, se serve ainda de sinais e de ritos, que desaparecerão somente ao fim, na Jerusalém celeste, onde não haverá mais nenhum templo. Graças a Cristo, a sacralidade é mais verdadeira, mais intensa, e, como acontece para os mandamentos, também mais exigente! Não basta observar o rito, mas se requer a purificação do coração e o envolvimento da vida. Apraz-me também sublinhar que o sagrado possui uma função educativa, e seu desaparecimento inevitavelmente empobrecerá a cultura, de modo particular, a formação das novas gerações?. E o Papa dá um exemplo: ?Pensemos em uma mãe e em um pai que, em nome de uma fé dessacralizada, privassem seus filhos de qualquer ritual religioso: na realidade terminariam por deixar o campo livre a tantos substitutos presentes na sociedade de consumo e a outros ritos e outros sinais, que mais facilmente poderiam se tornar ídolos?. E conclui: ?Deus, nosso Pai, não fez assim com a humanidade: enviou Seu Filho ao mundo não para abolir, mas para dar cumprimento também ao sacro. No cume desta missão, na última Ceia, Jesus instituiu o Memorial de seu Sacrifício Pascal. Assim fazendo, Ele mesmo Se colocou no lugar dos sacrifícios antigos, mas o fez dentro de um rito, que mandou aos Apóstolos perpetuar, qual sinal supremo do verdadeiro Sagrado, que é Ele mesmo?. Lembremo-nos: no rito cristão não se inventa nem se manipula: o rito se recebe da Igreja e se repete deixando-se humildemente plasmar por aquilo que ele nos traz, libertando-nos de nós mesmos e abrindo-nos para o infinito! Quem dera que as palavras do Santo Padre fossem ouvidas!