Opinião
O tamanho de Alagoas e o avan�o da seca
Na edição brasileira da conceituada BBC, uma manchete, ontem, chamava a atenção: ?Semiárido brasileiro 'ganhará um Alagoas' até 2070, prevê Inpe?. Pois não é que, vira e mexe, nosso Estado segue sendo referência? Menos má, a notícia não se refere a nenhum problema específico em Alagoas, mas os estudiosos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais apenas adotaram o tamanho do nosso Estado para dimensionar a gravidade da expansão da região propensa a secas no Brasil. A quantificação, de um ?aumento de quase 29 mil km² na região sujeita a secas?, diz respeito à projeção de continuado crescimento da aridez no Sertão nordestino durante as próximas décadas. Em verdade, muito antes dos pesquisadores terem a felicidade de dispor de equipamentos espaciais de última geração, essa tendência já havia sido identificada por um eminente pesquisador pernambucano, o saudoso professor Vasconcelos Sobrinho (1908-1989), que alertava especialmente sobre a marcha para a desertificação do Semiárido nordestino. Munidos dos mais modernos equipamentos, os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais informam que ?os dados sugerem que as áreas do Semiárido podem se ampliar em até 12% até meados do século?. Apesar do tamanho de Alagoas ter sido usado como referência para explicar o perigo, as terras alagoanas, aparentemente, estariam fora do perímetro de expansão da aridez, cujo avançar alcançaria com particular voracidade ?o Norte da Bahia, quase todo o interior de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, parte do Sudeste do Piauí, além de alguns outros pontos isolados em outras partes do País?, avaliam os estudiosos do Inpe. Esta constatação reforça a necessidade (muito antiga, por sinal) de serem revertidas as políticas sobre a seca nordestina. Vencê-la definitivamente é tentar remar contra a Natureza, mas estabelecer metas de controle de sua expansão e determinar formas sustentáveis de conviver com ela é questão de interesse estratégico.