Opinião
EM NOME DE NOSSA SENHORA DO �
O patrimônio histórico de um povo é o bem que representa identidade, exalta o valor da cultura, algo que simboliza a própria fotografia de um tempo que passou, de hábitos, manifestações e crenças de quem vivenciou a época. É uma realidade que tem motivado fortemente o turismo no Brasil. As cidades que preservaram seus centros históricos se desenvolveram bastante nas últimas décadas. A arquitetura e o urbanismo surgem como instrumentos de transformação do espaço urbano, a partir do processo de cenarização, atendendo com isso às expectativas do crescimento turístico. As pessoas, pelo mundo afora, vivem ansiosas por conhecer novos lugares, outras culturas, e o nosso País é belo e rico. Alagoas, particularmente, tem uma memória tão valorosa que se confunde com a própria história do nascimento da República e é justamente por isso que não podemos deixar perder, descaracterizar esse valioso acervo. Nosso patrimônio cultural começa por Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas, os monumentos de Maceió, sobrados de Jaraguá. Não podemos esquecer o distrito de Ipioca, localizado no Litoral Norte, a exatos vinte quilômetros da capital, hoje chamado de Floriano Peixoto, em homenagem ao seu filho ilustre, o segundo presidente da República do Brasil, o nosso Marechal de Ferro. Lá, encravada no alto e com visão panorâmica indescritível para o oceano, está a igreja de N. Sra. do Ó na eminência de desabar a qualquer instante. Imaginem 300 anos de história virar um amontoado de entulho! Ali, no século 18, foi ponto de observação durante a invasão holandesa por estar situada numa posição estratégica. A igrejinha foi construída pelos portugueses como pagamento de uma promessa feita depois de se perderem no mar e serem salvos graças às orações invocando o nome da santa. Os altares já estão quase todos no chão, as imagens já foram retiradas, as rachaduras se aprofundam e N. Sra. do Ó continua rogando por socorro. É um monumento tombado pelo patrimônio histórico e o dinheiro para a restauração teria sido liberado pelo Ministério da Cultura há quatro anos, mas não pode ser aplicado porque o estado de conservação é tão crítico que requer uma nova planilha e ninguém sabe quando esses recursos vão aparecer. Aquela belíssima região vai se transformar rapidamente num dos maiores polos de investimentos turísticos do Estado com a expansão da rede hoteleira, construção de resorts padrão seis estrelas, inclusive com ocupação já garantida para a Copa do Mundo. Enquanto isso, N. Sra. do Ó pede aos céus para que a sua capela continue de pé em nome da fé inabalável do povo de Ipioca.