Opinião
Os verdes e os rumos cinzentos
Ainda patinam os debates sobre as orientações que deverão emanar da Rio+20, confirmando a tendência de encolhimento do evento em relação a seu predecessor. Mas ainda é tempo de serem apresentadas propostas que possam salvar o esforço das Nações Unidas em realizar o evento. Muito tem sido cobrado do Brasil, enquanto país sede e liderança formal do processo de elaboração das teses a aprovar. De certa forma a crítica procede, pois a representação brasileira poderia ter-se preparado melhor para o vácuo anunciado de proposições proativas. Há muito tempo, a algaravia das Ongs já antecipava a total falta de rumo dos principais movimentos ?verdes? não governamentais, ao mesmo tempo em que os países mais engajados no processo ecológico (situados na Europa) estavam enredados numa profunda crise econômica, cuja necessidade de respostas imediatas canaliza todas as atenções governamentais. O chefe da delegação italiana, Corrado Clini, foi um dos negociadores que foi direto ao ponto, ao rechaçar a pressão de Ongs e de alguns representantes governamentais por financiamentos vindos dos ?mais desenvolvidos?, classificando essa posição como ultrapassada: ?Hoje as economias emergentes estão mais fortes que os países desenvolvidos. Em termos reais, estamos tendo uma discussão no formato da Rio-92, não da Rio+20?. Certo está o italiano. E para se ir adiante é preciso ultrapassar a Eco 92 em termos de proposições ousadas, apontando rumos inovadores. A maioria das delegações governamentais, com suas inteligências ainda em perplexidade frente à crise, reflete o esvaziamento do tema ambiental em suas agendas nacionais. Por outro lado, os grupos não governamentais pipocam na Rio+20 mais perdidos que cego em tiroteio e, ou repetem mecanicamente antigas bandeiras ou desfraldam estandartes tão inócuos quanto retrógrados, como o ?combate ao consumismo?, ou mesmo sussurram teses pelo ?decrescimento? econômico. Em resumo: o tempo ?ruge? e, de fato, o Brasil precisa fazer algo para salvar a Rio+20.