Opinião
Viver mais, e vivendo melhor
Como para reafirmar a validade da máxima sobre as duas faces de uma mesma moeda, uma notícia gerou, simultaneamente, alegria e preocupação em quem se preocupa com o futuro do nosso País e com o bem-estar de nosso povo. A boa nova é que a expectativa de vida no Brasil, para os aqui nascidos em 2010, alcançou a invejável marca de 73 anos e três meses. O mesmo estudo lembra que nos idos de 1960, essa marca era de 48 anos de vida, em média. Feitas as contas, temos a conclusão feliz de que, ao longo de meio século, a expectativa de vida do brasileiro foi acrescida de 25,4 anos. Uma grande conquista, sem dúvida. Mas onde reside a preocupação sobre este dado? Preocupa essa constatação quando se observa o já combalido sistema de previdência brasileiro, quando se presta atenção ao pouco espaço de trabalho disponível para a chamada terceira idade, e assim por diante. Apenas para dimensionarmos o tamanho do problema, podemos visitar o resultado das contas previdenciárias apresentado em março deste ano. O deficit assinalado na primeira contabilidade de 2012 foi de R$ 5,143 bilhões. Representava, então, uma alta de 47,1% sobre o mesmo período do ano passado. Esse resultado, se bem que não pode ser entendido como referência de valores médios, é representativo da tendência, que se expressa há anos, de acumulação crescente de prejuízos e sangria no caixa da previdência. O crescimento da expectativa de vida dos brasileiros é uma enorme conquista, um marco quantitativo que precisa ser harmonizado com um salto qualitativo. Os brasileiros e brasileiras têm o direito de não apenas viver mais, mas de viver muito melhor. E especialmente a chamada terceira idade precisa de atenções redobradas para que cada ano conquistado seja vivido com dignidade e felicidade, acompanhado do aumento geral da qualidade de vida. Nosso velho e carcomido sistema previdenciário precisa, urgentemente, ser revitalizado para responder a essa nova realidade de vida do brasileiro.