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Ricas na��es, pobres popula��es

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Uma das mais badaladas revistas do primeiro mundo, a britânica The Economist, tentando disfarçar a perplexidade que deveras sente, exclamou em recente reportagem: ?Quando o mundo era simples, rico era gordo e pobre era magro?, a título de comentar a suposta inversão das populações de ?gordos? e ?magros? nos países mais e menos favorecidos. A coisa é mais ou menos assim em relação à balança, mas, como a própria hebdomadária inglesa aponta, o problema é mais complexo que o estabelecimento de regimes alimentares para ascendentes, decadentes e estáveis economicamente. Ao longo de meio século, a contar do término da Segunda Grande Guerra, o globo sofreu poucas, apesar de significativas, mudanças desde o desenho geopolítico e econômico saído das cinzas. O mais inusitado dos acontecimentos foi o radical esfacelamento da União Soviética. No mais, as nações ricas seguiram ricas e as nações pobres continuaram pobres desde os anos 1940 até o alvorecer do novo milênio. Aqui, no século 21, é que a coisa apresenta-se inovadora, confirmando-se os prognósticos do fim dos anos 1900: os ascendentes chegaram para ficar, assomando ao palco globalizado como novos ricos cheios de animação, enquanto os países velhos ricos passaram a claudicar, padecendo de quedas sucessivas. Mas a experiência conta favoravelmente para o acerto nos ajustes cotidianos em cada nação. Os países europeus viveram nos últimos 100 anos duas terríveis guerras mundiais e seus povos não se esqueceram como enfrentar e vencer a fome. Por exemplo: a Espanha, embora padecendo de 24% de desemprego e clamando por resgate, ainda mantém públicos e gratuitos eficientes serviços de educação e saúde. Para os chamados Brics, o desafio não está na adiposidade de parte de sua população, mas na capacidade de multiplicar as oportunidades de educação, saúde, cultura, emprego e renda para a grande maioria de seu povo, que continua pobre, magro, deseducado. Em resumo: excluído ou superficialmente incorporado ao processo de enriquecimento de suas nações.

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