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Opinião

O INESPERADO DESTINO DO PARAGUAI

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Como não pretendo escrever minha autobiografia, vou contando aos leitores fatos que considero importantes de minha vida. Um deles é a minha relação com o jornalismo. Estudante, em Penedo, escrevia para o jornal O Apóstolo, cuja linha era ligada ao catolicismo. Dez anos depois de formado, perseguia-me a ideia de manter uma coluna semanal sobre assuntos médicos e num jornal da cidade. Anteriormente, já fiz uma referência sobre esse tema. Com a cara e a coragem, procurei o ?jornal associado?. A resposta recebida foi não. Afirmou o redator-chefe não ter espaço para uma coluna sobre medicina, mas me ofereceu uma alternativa: escrever sobre política internacional. Política Internacional? A oferta queimou-me os neurônios. Mas, de pronto, aceitei o desafio. Sou a favor da autodeterminação dos povos. Mas o impeachment do presidente paraguaio Fernando Lugo, num processo parlamentar que não durou mais de 24 horas, chamou a atenção geral. Afinal, ele era um inesperado presidente eleito pelo voto popular, embora a democracia naquele país seja uma plantinha débil que necessita de água e bom adubo para florescer. E o que vem como decorrência é difícil saber. Como ficam os brasiguaios, detentores de propriedades agrícolas e perseguidos pelos sem-terra paraguaios; e a usina de energia Itaipu Binacional, que abastece os dois países e que o Brasil cobra ninharia do Paraguai. É discutível o papel do Brasil nesse episódio de interferência no Estado paraguaio. Um fato do passado. Em 1864, pasme leitor, o Paraguai tinha 5 milhões de habitantes na época e resolveu invadir o Brasil. O ditador Solano Lopes bateu no peito: ia vencer o Brasil. Mas já na fronteira, encontrou uma guarnição brasileira composta de 18 homens num pequeno forte. Veio à intimação para que se rendessem ao Exército paraguaio que contava com cerca de 200 mil homens. Antônio João da Silva, nordestino, comandante da guarnição respondeu com estas palavras: ?Sei que morro, mas o meu sangue e de meus companheiros servirá de protesto solene contra a invasão do solo de minha pátria?. Solano Lopes ficou convencido de que essa invasão não seria um simples passeio militar como prometera ao Exército de seus compatriotas. A queda do presidente Fernando Lugo extrapolou as fronteiras do Paraguai e ganha contornos de conflito regional.

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