Opinião
Obras p�blicas
EDINALDO A. M. DE MÉLO * Há tempo questiona-se a qualidade e durabilidade das obras públicas no Brasil. São poucas aquelas que merecem elogios da população, seja por apresentarem retorno do investimento realizado ou por um elevado valor social. Em geral, quando se acompanha o desempenho ou se mede a durabilidade das obras, nota-se o tamanho do prejuízo jogado fora sem qualquer explicação. Na hora da inauguração, quando políticos e membros do governo entregam as obras, fazem o maior estardalhaço, mas anos, e às vezes meses depois, falhas precoces se manifestam, exigindo novos investimentos. Alguns representantes de órgãos públicos, quando apresentam sua versão para determinado problema prematuro ocorrido, enganam a população e não expõem a verdadeira causa do insucesso. Por que as obras públicas são ruins, malfeitas e demoram tanto para ser executadas? (quando não são abandonadas no meio do caminho). Por que custam mais do que o devido? E por que não se buscam caminhos que resolvam essas situações? Será que é possível se corrigir isso? Há pessoas que partem do pressuposto de que as obras públicas não têm donos e são pagas por uma população desconhecida. Trata-se de um grande equívoco, um paradigma que precisa ser substituído. Na verdade, o governo não tem máquina de fazer dinheiro. Todo e qualquer investimento realizado provém de impostos arrecadados pelos cofres públicos, cuja fonte pagadora são os trabalhadores e empresários. Portanto, as obras públicas pertencem a todos os brasileiros. Tanto os moradores de regiões urbanas como rurais são afetados, sentem diretamente o caos, tornam-se vítimas da falta de saneamento básico, habitações populares, péssima pavimentação urbana e rodoviária ou da completa falta desta. Os buracos insistem em aparecer em velocidade galopante, tudo isto como conseqüência de gestões deficientes comandadas, sobretudo, pelas mais de 4.000 prefeituras espalhadas em todo o país. Some-se a isso a deficiência do transporte coletivo, do trânsito engarrafado, insegurança, desemprego e uma seqüência de outras dificuldades enfrentadas diariamente. E as causas principais das obras públicas serem ruins são atribuídas a falhas na contratação de serviços, na execução, impunidade e até na formação profissional. Antigamente, além da existência de centros de excelência nos órgãos públicos, o poder de decisão dos técnicos era muito maior. A partir de 1970, os políticos passaram a exercer funções gerenciais, que somente deveriam ser desempenhadas por técnicos. Faltava conhecimento técnico especializado e domínio das ferramentas gerenciais indispensáveis ao bom exercício de funções administrativas, por exemplo, como liderar equipes, motivar pessoas, alcançar melhores resultados com máxima eficácia. Quando o administrador de um órgão público não possui competências pessoais e habilidades gerenciais que motivem o apoio dos funcionários no sentido de transformar a estratégia traçada em ações concretas, o resultado é desastroso. E alguns administradores gastam a maior parte do tempo com fofocas e especulações, ao invés de promover um ambiente sinérgico de cooperação e melhores resultados. (*) É PROFESSOR DA UFAL