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Opinião

IDAS E VINDAS

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Muitas vezes ao imaginar o que traduzirei em verbo para o artigo, procuro fazer uma leitura do que está acontecendo na minha vida. Hoje ecoa um pouco da minha história e a circunscrição dos fatos torna-se a pauta suave do que venho a expressar. No dia 10 de maio de 2013, cheguei ao município de Porto de Pedras. Como padre da Igreja Católica, o bispo tem autonomia de me enviar para qualquer localidade que pertença à Arquidiocese de Maceió. Das mais de 30 cidades deste conjunto, aquela foi a escolhida para eu desempenhar meu ministério de sacerdote. Estava saindo de Colônia de Leopoldina, após uma experiência de um ano e alguns meses como diácono, e recordo-me que nada sabia da nova cidade que iria me acolher. Lembro-me de já ter conhecido os três municípios limítrofes e ir para Porto de Pedras representa então um novo. Com o avanço das novas tecnologias de informação e comunicação, busquei o máximo de informações para ter mais conhecimento sobre o que iria encontrar. Contudo, nada se comparou à experiência ?in loco?. Ao chegar e então passar a residir, descobri uma das mais belas regiões do nosso estado alagoano, um berço de cultura, parte da rota de descobrimento do Brasil, história riquíssima a ser narrada e paisagens naturais que encantam qualquer pessoa que por aqui visite, mesmo rapidamente. Agora, após três anos de pastoreio, chego ao fim de minha missão nestas terras que tanto amei. No último dia deste mês, deixarei a paróquia e outro assumirá. Algo natural para quem é padre, pois a permanência nunca é eterna, e com certeza assim só será no céu, mas as marcas positivas de uma boa estada são sim permanentes. As boas conversas, os risos, as inúmeras gargalhadas, as pessoas de grande coração que encontrei, os gestos que foram expressivos, a acolhida que ganhei, tudo faz parte agora dos registros de minha memória. Como não se deixar tocar por tão fortes experiências? Talvez algum leitor tenha dificuldade em fazer esse processo de migração, por conta dos laços estabelecidos. O local sempre nos fala muito, é verdade! Contudo, confesso que a possibilidade de ir e vir me faz mais livre para o projeto que abracei. Faz-me tanger a brevidade da vida e entender que aqui somos peregrinos e por isso prosseguir deve-se fazer sempre. Por isso, continuo o percurso. O destino já o sei, resta-me caminhar...

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