Opinião
O INESQUEC�VEL RUBENS QUINTELLA
Quando o deputado Antenor Serpa me apresentou ao coronel Adauto Barbosa, secretário de Segurança Pública, e ao governador Lamenha Filho, este imediatamente me fez convite para servir ao seu governo como delegado do Segundo Distrito da Capital. Nos fins de semana, entrava na escala de delegado de plantão ou delegado de ronda. Minha equipe de confiança nas rondas se compunha do chefe Thomaz, do motorista Jairo e do agente Marcelo. Um sábado à noite, nas proximidades do famoso Bar Gaivota, na Pajuçara, fomos avisados de um violento tiroteio e morte. Saímos em perseguição ao criminoso. Numa rua estreita e escura do bairro do Poço, avistamos o assassino em fuga. De repente, diante da nossa viatura, surgiu outro elemento interditando nossa passagem.O agente Marcelo, ex-tirador de coco, exímio manuseador de foices (sempre carregava uma no piso do carro), se ofereceu ? ?Doutor, deixe eu dar um jeito nesse malandro?. ?Calma, rapaz, fique quieto, deixe esta foice aí?. Incontinente, o motorista da nossa viatura desceu do carro. Forte como um touro, pegou o desordeiro pelos braços e o arremessou numa poça de lama. Seu Thomaz ralhou: ?Jairo, não precisava fazer isso?. ?Chefe, este malandro não toma banho há muitos meses?. Na Praça Bomfim, soubemos que o criminoso se escondera numa pensão. Eis que surge, vindo de uma diligência ao Litoral Norte, o já famoso dr. Rubens Quintella. Era a primeira vez que o via. Juntamos as duas equipes e, de surpresa, arrombamos a porta do quarto onde o criminoso se escondia. Embaixo da cama, descobrimos uma pequena metralhadora. Seu Thomaz passou a arma às minhas mãos e eu a entreguei ao dr. Rubens, entusiasmado ? ?Que beleza de máquina!?. Ele olhou a arma com olhos profissionais, passou de uma mão para a outra, conferiu e me devolveu. ?Doutor delegado, isto aqui às vezes atira, às vezes não; é fabricada em Campina Grande?. Era verdade! Naquele instante, vi que o homem sabia quase tudo da sua profissão. Ficamos amigos. Ele continuou operoso delegado de Homicídios e, depois, delegado da Polinter. Inteligente, gostava de ler, era um aficcionado em histórias criminais. Fui deslocado no Governo Afrânio Lages para a direção-geral do Detran, mas minha admiração era sempre crescente por aquele personagem, que era quase uma lenda nos meios policiais e na sociedade.