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Opinião

O radicalismo na preven��o das crises

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Por este efeito colateral da crise no Velho Mundo ninguém esperava: O exército britânico, um dos maiores e mais poderosos do mundo por séculos, está reduzindo seus efetivos em aproximadamente 20%. O contingente britânico vai encolher dos atuais 102 mil para 82 mil integrantes. Este será, segundo a mídia inglesa, o menor número de militares do exército em 200 anos. Passará a contar com a metade do tamanho que ostentava na época da Guerra Fria, quando, segundo as mesmas fontes, contava com 163 mil soldados. Não sem razão o pau vai quebrar na arena de debates políticos nos circunspectos fóruns do reino de Elisabeth II. O Partido Conservador, atual detentor do poder, naturalmente responsabiliza a gestão anterior (adversária) pela medida. ?Após herdar gastos enormes do último governo, tivemos que tomar decisões difíceis para implementarmos nossa visão de Forças Armadas formidáveis, adaptáveis e flexíveis? detonou o Ministro da Defesa, enquanto os trabalhistas retrucaram argumentando que ?[esta seria] uma resposta inadequada para as ameaças globais e poderia colocar o país em risco?. O que chama mais a atenção é o fato de uma medida dessa natureza estar sendo discutida na Grã-Bretanha. Apesar de alcançado pela crise que assola e assombra a Europa continental, sempre é bom lembrar que os súditos britânicos não fazem parte da Zona do Euro, e nunca abriram mão de sua velha e sólida libra esterlina. Tudo isto confirma a extensão e gravidade do presente terremoto econômico, que apesar de seu epicentro ter como endereço a Zona do Euro, as terras tremem no resto da Europa ? e vão além, desenhando uma realidade preocupante para todo o globo. Experientes em enfrentar dificuldades, antecipando cenários e sabendo se preparar para as vicissitudes do amanhã, os britânicos estão se posicionando para dias piores. Mesmo que não prospere a proposta de encolhimento de seu exército, melhor será o mundo prestar menos atenção a mulheres de Atenas e mais atento ficar aos sinais emanados da velha, austera e precavida Londres.

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