Opinião
O NOTICI�RIO
Assistindo a um noticiário, vi duas matérias distintas mas que traziam o mesmo pano de fundo. De um lado via-se a rápida recuperação do cantor Pedro, filho do também cantor Leonardo. Pedro foi socorrido por um helicóptero e, dadas as condições de pronto atendimento, pode se recuperar rapidamente. Que bom! Seus familiares e amigos ficaram felizes e vamos poder continuar ouvindo-o cantar. Já na cidade de Vitória, no Espírito Santo, um outro lado da história fazia paralelo inverso com o caso do cantor Pedro Leonardo. Uma jovem, vendo seu pai passando mal, necessitando de atendimento de urgência, e, diante da morosidade do atendimento, usando de uma arma, ameaçou os presentes e fez refém a funcionária de uma seguradora, exigindo que seu pai fosse atendido com a atenção que merecia. Dois mundos totalmente diferentes. De um lado, o cantor, famoso e rico. Do outro lado, apenas uma simples mulher, uma anônima, como se costuma designar os desconhecidos personagens. Onde estamos vivendo afinal? ? pagamos impostos, temos uma das mais pesadas cargas tributárias do mundo, somos um País dito emergente e, no entanto, socialmente falando, estamos equiparados aos países sul-africanos. Somos forçados a privatizar a saúde sob pena de termos que enfrentar situações humilhantes e vexatórias como as que passou a homônima personagem da televisão. Seu gesto foi heroico. Bradou contra um sistema injusto e vampiresco, que apenas suga e muito pouco dá em troca. Quem vai um dia mudar este quadro caótico? ? quem vai observar e por em prática o que prescrevem as leis que tratam sobre a dignidade da pessoa humana? Nossos congressistas, em sua grande maioria, cada vez mais envolvidos em maracutaias, não têm tempo para cuidar de tais assuntos. Enquanto não forem efetivadas ações para mudar este estado de coisas, enquanto o Estado não acordar de uma vez por todas de seu berço esplêndido e assumir sua incompetência, só nos resta a atitude de quem, por exemplo, empunha uma arma, sequestra alguém, tentando a todo o custo ver atendido (o que é simplesmente um direito seu), um pai de família, que agonizando, necessita de um atendimento de urgência.