Opinião
AS MUITAS FACES DA VIOL�NCIA
De repente, as pessoas foram tomadas por uma ansiedade grande demais achando que, após o lançamento do plano nacional de segurança pública, bastariam 48 horas para que todos os problemas da violência ficassem resolvidos. Alguns talvez imaginassem que as forças policiais sairiam ?adoidadamente? invadindo territórios atirando, matando, esfolando, estourando bocas de tráfico, prendendo bandidos e colocando em risco a vida dos inocentes. Mas é compreensível, considerando o quadro de medo que boa parte da população tem vivido nos últimos anos. O plano é uma esperança que nasce podendo trazer resultados positivos lá adiante se houver uma cumplicidade das instituições e da própria sociedade civil organizada. Não precisa ser PhD no assunto para entender que só as forças policiais nas ruas não bastam, porque a violência é resultado de múltiplos fatores que vão se acumulando ao longo do tempo e está profundamente enraizada em todos os lugares. Combater o desemprego, investir seriamente nos programas sociais, enfrentar a impunidade, exonerar os maus policiais, qualificar os que estão na ativa é o básico. Tem muito para se fazer, mas o importante é dar a largada como se faz agora, acreditando que mais dia, menos dia, vai se intimidando a ousadia da bandidagem. Também é demagogo e covarde jogar todo o peso da desordem sobre os ombros do governo atual, isentando os que outrora estiveram no comando e que são tão ou mais responsáveis por essa ignomínia, fruto da omissão com a estrutura da segurança pública do Estado. São muitas as faces da violência que nos rondam e nem sempre percebemos, porque chegam silenciosamente como uma doença incurável, corroendo as entranhas até sugar qualquer chance de sobrevida. Enquanto o Tribunal de Contas se destaca pela suntuosidade, o prédio da Secretaria de Educação não passa de um velho imóvel sucateado, com precaríssimas condições de trabalho. Enquanto o Tribunal de Justiça esbanja modernidade, as delegacias de polícia sequer possuem um tamborete para o delegado despachar; o sistema prisional mais parece um campo de concentração, de onde fogem presos aos bandos. Para não falar do IML, vergonha para o Estado há 70 anos. Se o Palácio do Governo é uma obra que exalta a moderna arquitetura, os hospitais públicos e postos de saúde nada têm a oferecer aos abnegados profissionais, nem medicamentos para os pacientes carentes que são desumanamente maltratados. Quando acontece uma decisão esdrúxula como o caso do Ibama vetando a construção do estaleiro, o que se vê é um monte de retórica dos líderes.