Opinião
O VOLUNTARIADO E A SOLIDARIEDADE
Há cerca de 11 anos, neste espaço que mantenho na Gazeta de Alagoas, fiz um comentário sobre um tema que estava na pauta e no centro de discussões: a Organização das Nações Unidas (ONU) havia elegido o ano de 2001 como o Ano Internacional do Voluntariado, cujo objetivo era despertar e incentivar à prática da solidariedade e motivar pessoas e grupos para realizarem ações que pudessem atenuar brutais realidades, numa adesão de ajuda aos desfavorecidos. Mas, conceitualmente, era mais que isso, como ?ativação da generosidade como esforço conjunto da sociedade, transformando pessoas em agentes construtores da cidadania?. O tema discutido gerou muitas reflexões. Pessoas deixaram seus lazeres e passaram a contribuir com suas competências e aptidões com finalidades beneméritas. A ideia da ONU teve muitos resultados práticos. Meu amigo Porfírio, a quem me refiro de vez em quando, engenheiro aposentado, reorganizou um grupo que distribuía sopa na madrugada a famílias que dormiam nas ruas. Pessoas passaram a frequentar os hospitais levando palavras de conforto e gestos de carinho. Grupos se organizaram em associações de apoio à crianças portadoras de Síndrome de Down, lábios leporinos, entre outras enfermidades, ou ainda, grupos de apoio por meio de hospitais, ou de maneira direta a portadores de câncer, esse flagelo que a medicina não consegue dominar. São algumas citações entre milhares de ações que merecem referência. Um despertar de consciências. Um pensamento que, na época, foi citado por mim: não entender a existência humana sem a necessária luta para fazê-la melhor. Essa crônica, de 2001, fazia uma alusão aos idosos, abandonados ou pouco assistidos nos asilos, desprezados apesar de já terem cumprido sua missão social e familiar. Desde então, melhoraram as condições de muitos. Tenho um amigo que adotou um idoso e dá forma a esse gesto com assistência de medicamentos, vestuário e atendimento às necessidades básicas do ser humano. Recentemente, tomei conhecimento do trabalho que realiza o Rotary Club por meio da Casa da Amizade. Uma assistência diversificada que merece elogios. É necessário valorizar a solidariedade, o carinho, o amor e os laços de amizade que unem as criaturas. Esse carinho é oxigênio que mantém a vida. É necessário valorizar, cada vez mais, o trabalho voluntário na sua dimensão afetiva e social.