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Opinião

Entre a �tica berrada e a �tica praticada

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Cassado o mandato de Demóstenes Torres, o interesse midiático pautar-se-á com especial atenção sobre o julgamento do chamado ?mensalão do PT?. Em ambos os casos, malgrados os propalados antagonismos ideológicos, o momento no qual cada caso ocorreu e a própria ocorrência em si, os dois acontecimentos têm pelo menos um ponto em comum para boa parte do público: a decepção com lideranças políticas tidas como guardiãs da ética. Indubitavelmente a ética merece ser cobrada, de forma cotidiana, para a atividade política. Assim como também deve ser rigorosamente exigida em todas as demais atividades públicas, assim como na iniciativa privada. Mas, já há bastante tempo o estandarte ético converteu-se em presa fácil da demagogia. E, mais das vezes, essa falsa paternidade tem sido turbinada por parte da chamada ?grande mídia?. Os laços com um dos chefões do crime organizado levaram à perda do mandato de um dos mais badalados parlamentares dos tempos recentes. Tempo no qual alguns dos mais poderosos veículos de mídia impressa não só se esmeravam em ceder generosos espaços ao hoje cassado como, talvez até mais que o próprio político, solidificava seus laços com o chefão em tela (e em cana).Uma verdadeira cachoeira de denúncias foi armada em parceria editorial com o homem acusado de ser o gestor de uma rede criminosa. No passado recente, antes da chegada ao Palácio do Planalto, as lideranças petistas se desdobraram em aparecerem como ?donos da ética?, chegando a recusar o voto a Tancredo Neves para presidente da República, da mesma forma que denegavam rubricar a Constituição de 1988. Por essas e outras, tornaram-se alvos fáceis para uma campanha na qual o ?Mensalão do PT? é usado para apagar o pai dos ?mensalões? (criado para subsidiar a aprovação da emenda da reeleição) e outras tantas falcatruas mais graves. Desses casos todos, além da intransigente defesa da ética, a lição a ser aprendida é a necessidade do amadurecimento da cidadania para a indispensável distinção entre os verdadeiros e os falsos éticos.

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