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PLANO DE SEGURAN�A PARA ALAGOAS – UMA REFLEX�O

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O decantado em verso e prosa ? plano de segurança ? chega como um mirabolante programa de combate à criminalidade em nosso Estado, com o apoio do governo federal, para salvar Alagoas e resolver os problemas relacionados ao crime. Faço parte daqueles que torcem para que tudo dê certo, acredito que as ações que caminham em defesa da vida são bem-vindas. No entanto, resumir o problema da segurança à aquisição de armas, ao aumento do número de policiais nas ruas, ao aumento de carros da polícia circulando e aos helicópteros é quase uma piada. Assemelha-se a uma operação de guerra. Ataca-se pelo ar e pela terra, os carros da polícia e da Força Nacional não obedecem a semáforos, faixas de segurança, pedestres ou quem quer que seja; eles buscam bandidos, sem saber aonde chegar e nem por onde começar, correm feito loucos, buzinam, fazem blitze e, no fim de semana, expõem a parafernália para o povo e a ?diversão? da criançada. Na avaliação do plano, foi dito que agora já se sabe a hora e o local em que a criminalidade é maior. Ora, isso é conhecido por todos os que discutem a violência em Alagoas, desde a publicação dos primeiros relatórios do Fórum Permanente contra a Violência, na década de 90, inclusive com os tipos de crimes, os bairros mais violentos e os horários em que se mata mais em Maceió. Talvez, se este investimento fosse feito na educação, teríamos mais resultados. Ainda que não fosse imediato, estaríamos construindo uma sociedade diferente, pensante; mas não, optamos pelo cinematográfico. A meu ver, não há como resolver o problema da criminalidade em Alagoas sem se rediscutir a nossa economia, que se sustenta na cana-de-açúcar, que é sazonal e que alimenta a desigualdade social, sem investir em educação, sem a criação de empregos e sem investimento no turismo, que é a nossa vocação natural. Discutir segurança desassociada de políticas públicas em outras áreas soa, para mim, uma irracionalidade, pois qualquer diminuição de índices será momentânea, permanecerá apenas enquanto existir este aparato policial. Pensar segurança pública requer bases muito mais sólidas que a mera infraestrutura das polícias, que também é importante, mas que, isolada, não resolverá a questão. O problema da segurança em Alagoas não é de hoje e nem é fruto deste ou daquele governo, este problema é nosso ? da sociedade alagoana.

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