Opinião
PLANOS DE SA�DE
Numa involuntária moção ao 14 de julho, como um horrendo Danton ou um simulacro do ?incorruptível? jacobino, a cabeça de Demóstenes Torres rolou após inúteis vesperais verborreicos. Uma pena que por trás daquela máscara de probidade se escondesse figura tão tinhosa. Seu substituto já chega irisado por desairosos comentários que incluem relação promíscua com a contravenção até irreparáveis desgostos, como a perda da sensual esposa, justamente para Cachoeira. É a síntese do Parlamento brasileiro. Sai um sujo, entra um mal lavado. Será que um dia ainda teremos saudades do Demóstenes? Quem também teve uma cólica de seriedade foi a Agência Nacional de Saúde ao punir planos de saúde, inclusive nossa Unimed. Sem olhar para o próprio rabo, a ANS castigou a chamada Saúde Complementar, mise en scáne midiático, com direito a ministro da Saúde. No fim, ficou a impressão de que algumas empresas deixaram de ser incluídas. Até o início dos anos 1990, não atendia por convênios. O empobrecimento da classe média e o descaso com a assistência médica jogariam parte da população no colo dos planos de saúde. Assim, filiei-me a esses famigerados intermediários. Com a Hapvida, tive dissabores que me impeliram a solicitar o desligamento. Não suportei assistir à reincidência de meus doentes neurocirúrgicos serem transferidos para Fortaleza. Sem sofrer da ?síndrome do colonialismo científico? e despido de arrogância, fiz ver que os anos de ensino e de exercício da medicina me conferiram um grau de maturidade profissional para não admitir ingerências maliciosas no meu ofício. A mocinha do convênio pareceu-me convencida, mas na primeira oportunidade aplicou-me a mesma rasteira... O convênio Bradesco é quase sui generis. Além de pagar merreca, como todos os outros, de súbito resolveu alijar a Santa Casa da parceira nas cirurgias de coluna. Decisão inusitada e pouco explícita, posto que, até onde sei, esse dado só é revelado no instante em que o incauto usuário precisa desse tipo de intervenção, criando situação vexatória para todos. Fato é que os convênios adorariam que as cirurgias e os exames complementares tivessem parado na década de 1970. Alguns querem impor aos seus usuários materiais cirúrgicos do mesmo naipe que os do ?bandejão? do SUS. Ora, ora, o contribuinte faz um esforço tremendo para fugir do SUS e na hora de uma cirurgia, o engraçadinho do convênio quer enfiar material de discutível confiabilidade.