Opinião
A PART�CULA DE DEUS
Neste julho, a ciência exultou com a confirmação da provável existência do bóson de Higgs, a partícula subatômica que explicaria a formação da matéria no universo. Estaria validado o Modelo Padrão, um esquema lógico que explica todos os fenômenos subatômicos até agora conhecidos. Chamam a este bóson de Higgs ?partícula de Deus?. Não é bom fazer este tipo de mistura! De Deus são todas as partículas, todo o universo com suas leis; Dele é a maravilhosa inteligência humana, capaz de decifrar a linguagem escrita no cosmos. A ciência jamais terá algo de novo a dizer sobre Deus ou poderá afirmar que Ele existe ou não existe. O Deus verdadeiro é o Ser do qual tudo provém, que a tudo ultrapassa e a tudo perpassa. Nele, tudo se sustenta e tudo a Ele se dirige. Deus é, não simplesmente existe! A ciência descreve e explica as leis do universo. Fora disso, que poderia ela dizer se Deus lhe escapa do objeto de estudo? Isto não quer dizer que o discurso sobre Deus não tenha lugar a partir das descobertas científicas ou da razão humana. Quanto mais se penetra no intricado maravilhoso que constitui a natureza, tanto mais somos forçados a perguntar: De onde provém tudo isto? Se o universo revela uma lógica (tão lógica a ponto de se antever fenômenos e elementos ainda desconhecidos empiricamente), não haveria um logos, uma Inteligência que a tudo deu origem? Qual a finalidade de tudo o quanto existe? Seria tudo somente fruto do acaso? E o homem, com uma subjetividade e uma saudade de infinito mais vasta que o próprio universo, a ponto de não sossegar na procura da resposta ao ?porquê? e ao ?para quê? de tudo? A natureza é somente natureza ou é também criação, obra de um criador? Hoje, a ciência acolhe a teoria do Big Bang, proposta primeiramente por um cientista belga, sacerdote católico, o padre Georges Lamaitre, em 1927. Algo explodiu, algo tornou-se energia e depois massa. Mas de onde vem esse algo? O que provocou sua explosão? Donde brota a poderosíssima gravidade? Eis o que a ciência jamais responderá. Eis a misteriosa realidade primeira a que o crente chama de Deus, que agiu no princípio e continua agindo discretamente em cada lei da natureza, em cada ser, em cada flor que brota, em cada criança que ri, em cada esperança que teima em povoar e animar os nossos sonhos. A existência de Deus não é uma questão descartável. Da afirmação ou não da Sua existência dependerá o modo de nos compreendermos e compreender a vida, muito mais ainda que o modo de compreendermos o universo como um todo. Deus é a aposta fundamental da qual é impossível fugir, mesmo quando se faz de conta que não se quer apostar!