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Opinião

Em busca da pujan�a perdida

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Nos idos de 1980, o Brasil ostentava uma produção industrial maior que a soma dos resultados fabris da Tailândia, Malásia, Coreia do Sul, Índia e China. Hoje, três décadas depois, o produzido por nossa indústria representa apenas 10% do fabricado por Tailândia, Malásia, Coreia do Sul, Índia e China. E a toada foi a mesma para a América Latina. Segundo o professor Gabriel Palma, da Universidade de Cambridge, três questões principais definiram essa inversão: ?1ª) A taxa de investimento privado é de 30% do PIB na Ásia, enquanto que, na América Latina, é de 15%; como resultado, o investimento por trabalhador ocupado na economia brasileira é hoje menor do que na década de 80, enquanto Índia e China apresentam taxas 8 e 12 vezes maiores, respectivamente. 2ª) A política econômica na Ásia é claramente keynesiana com taxas de câmbio competitivas e taxas de juros baixas e estáveis. 3ª) A reforma econômica na Ásia (ou seja, a liberalização do comércio, a liberalização financeira) foi pragmática, lenta e seletiva.?. O estudioso conclui que essa tríade básica garantiu um processo sustentável, seguro, de crescimento e desenvolvimento, enquanto na América Latina, ?a reforma foi adotada como uma religião. Tudo foi feito da noite para o dia. Em dois ou três anos, todas as reformas foram implementadas. O resultado foi uma confusão?. Teorias e ideologias à parte, o estudioso de Cambridge levanta teses instigantes, baseadas em dados concretos. O pragmatismo asiático é uma marca de sucesso, cristalizado em experiências políticas tão distintas (e contraditórias) como China, Cingapura, Coreia do Sul Índia. É igualmente referência desses êxitos econômicos a capacidade de saber levar adiante os projetos estratégicos, independente das renhidas batalhas políticas que usualmente explodem nesses citados países. Na prática e na teoria, o Brasil continua detentor de um potencial bem maior que os êxitos ocasionalmente registrados. Para acertar de forma segura e sustentável, basta descrer nos ?milagres econômicos? e apostar em políticas continuadas.

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