Opinião
O ESSENCIAL QUE ENCANTA
Estava pensando em Paulo e Barnabé nos Atos dos Apóstolos, encantando a multidão que se apinhava para ouvir a Palavra de Deus. Que segredo tinham para atrair assim a tantos? Será que possuíam algum método moderníssimo? Dançavam ou gritavam como desesperados? Faziam uma pregação de ?diálogo? com o mundo romano no sentido de aliviar as exigências do Evangelho, condescendendo com os vícios do Império? O primeiro segredo era não procurar entusiasmar, encher auditórios ou fazer sucesso... Afinal, nem Jesus nem os Seus Apóstolos nem os santos de todas as épocas procuraram vender o Evangelho como mercadoria fácil e barata... O segredo daqueles encontrava-se na convicção de fogo, no radicalismo suave e profundo de quem encontrou de verdade Jesus, perdeu tudo por Ele, apostou Nele a vida! A preocupação deles era comunicar uma Novidade, uma urgente e inesperada Novidade: Deus amava a humanidade; não se esquecera dela; conhecia as dores de cada homem e, agora, no Seu Filho Jesus, morto e ressuscitado, oferecia a salvação a todos, oferecia um novo sentido de viver, um novo rumo para a existência, um novo gosto de existir! Quem cresse em Jesus, Nele fosse batizado e nos Seus passos caminhasse, Nele encontraria a vida em abundância! Esta era a Novidade, este o Evangelho, este o segredo! Por isso a cidade inteira se reuniu para escutá-los! Eles não pregavam ideias, projetos políticos ou sociais, análises de conjuntura ? simplesmente, não era função deles, não tinham autoridade para isso... Iam direto ao ponto: Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado, quando acolhido, crido, seguido e amado, era capaz de mudar o coração de cada um e da humanidade! O Jesus anunciado por eles era exigente: simplicidade de vida, castidade, piedade, risco de martírio, honestidade, obediência a Deus, fidelidade... Exatamente pela exigência que a Verdade comporta, que a Novidade requer, a multidão se encantava... E, se não se encantasse e não desse ouvidos? Ainda assim, oportuna e inoportunamente, os Apóstolos insistiam a tempo e contratempo, sem amansar, sem esconder, sem omitir ou falsificar o Evangelho. Eram tão apaixonados, convictos, coerentes no testemunho, tão inflamados no amor, que estavam prontos a dar a vida pelo que pregavam e por Aquele a quem anunciavam... É só isto e tudo isto que falta tanto hoje! Pregadores descomprometidos; cristãos que gostam de elogiar o mundo e desprezar o Evangelho, piruetas para atrair o povo como quem seduz um bando de crianças ingênuas: nada disso trará vigor à Igreja! O vigor da Igreja é e será sempre Cristo vivido integralmente, de modo apaixonado e apaixonante! Muitos não aceitarão, muitos zombarão, muitos sequer compreenderão... Mas ?todos os que eram destinados à vida eterna, abraçaram a fé?... e ?os discípulos ficaram cheios da alegria do Espírito Santo.