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O DIA DA LEMBRAN�A

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Quem não tem um dia no calendário da existência que mereça ser considerado o dia da lembrança. Talvez um instante importante, que marcou um determinado dia, que perdura pela intensidade como aconteceu. Se assim for, esse marco passado volta à memória em dado momento. Recordação que enternece. Creio que a maioria dos leitores tem um desses dias, embora não tenha catalogado com essa denominação. A crônica que escrevo neste momento deverá ser publicada no dia 25 de julho, que por muitos motivos é uma data significativa para mim. Lembra uma visita que fiz à Catedral de Santiago de Compostela, na Espanha. É sempre com emoção que relembro esse episódio. Necessito colocar as palavras em sintonia com a alma e à razão na busca da expressão desejada. Corria o ano de 1980. Fazia minha primeira viagem à Europa por uma campanha de turismo. Dois dias em Paris eram muito pouco para conhecer o mínimo dessa cidade. Tomei uma decisão. Deixei provisoriamente a excursão da qual participava para reencontrá-la em Lisboa. Voltei de automóvel com amigos atravessando a região dos Pirineus, chamada de País Basco. Uma floresta densa e na estrada estreita encontramos centenas de viajantes, de ambos os sexos, com características irmãs: usavam tênis, um cajado de apoio e uma sacola. Para onde se dirigiam? ?Uma peregrinação centenária de 860 km, que se inicia no interior da França até a cidade de Compostela, na Espanha. O santuário guarda os restos mortais de Tiago apóstolo, que partindo de Jerusalém fez uma longa viagem evangelizadora até a costa da Espanha. Transformou-se em ponto de fé, chamado caminho de Santigo. Chegamos à cidade no dia 25 de julho, quando era recordado o martírio de São Tiago. Assistimos à missa do peregrino. O tema da homilia descrevia o poder da fé. Quedei-me diante de uma urna de prata que guarda os restos mortais do apóstolo. Uma emoção indescritível. A mente é a ferramenta mais poderosa de que dispomos. Naquele momento perdi-me em evocações. Senti-me plenificado pela fé. Uma lembrança que se sobrepõe a muitas outras apesar dos anos passados. A memória venceu o tempo. E todos os anos eu relembro esse acontecimento. Transformei-o no meu dia da lembrança.

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