Opinião
O INSTINTO E A CAMPANHA ELEITORAL EM MACEI�
Quando dobrei a curva, vi um grande corredor de bandeiras. Ah! Estamos em campanha eleitoral! Confesso que meu primeiro instinto foi rir, porque a maior parte das bandeiras tinha sido colada com o retrato do candidato do lado contrário. Então, quem passava no meio do corredor de bandeiras não conseguia descobrir quem, de fato, era o candidato. Não resisti: parei o carro lá no fim do corredor e vim passeando na calçada para ?sentir o clima?. Muitas das pessoas que carregavam as bandeiras conversavam para passar o tempo ou estavam visivelmente cansadas de levantar o mastro e o apoiavam no chão, enquanto a cabeça tentava responder à pergunta ?o que é que eu estou fazendo aqui nesse sol quente??. Percebi uma liderança chamando a atenção dos demais para serem mais ativos com as bandeiras. Veio o instinto secundário, entristecer, pois aquele mar de gente representava o tanto de desempregados que temos na cidade. Maceió certamente reflete a situação social de Alagoas. Um documento publicado pelo Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), a partir de dados do Pnad/IBGE, em março de 2012, mostra que Alagoas apresentava, em 2009, 27,05% de pessoas vivendo na extrema pobreza na área rural e 9,62% na área urbana. Entretanto, o desemprego na área urbana representava 12,66%. Dois aspectos devem ser considerados neste particular: 1) os levantamentos do Pnad/IBGE consideram apenas a população residente em domicílios particulares permanentes, o que certamente exclui todas as pessoas que moram em ocupações urbanas ou aglomerações subnormais, caracterizadas pelas condições de extrema miséria em que vivem; 2) quando falamos de desemprego, estamos falando, de novo, da população ?residente? em idade de 16 anos ou mais, ou seja, não computamos aqui a população de excluídos das aglomerações subnormais, que, em 2010, segundo Cícero Péricles, eram em torno de 300 em Maceió. Renda informal para estas pessoas, de fato, ajuda temporariamente. A manutenção da estrutura de desenvolvimento econômico do Estado ajuda a manter essa situação. Há candidatos/as também no Farsabook, eu disse farsa? Não!... Facebook! É, mas lá eles vão atingir 18% da população residente... Certamente, vale a pena investir na conversa virtual. Ninguém sabe mesmo quem está teclando... Se é o/a candidato/a ou alguém contratado... Carros cantarolando os jingles repetitivos acordam meu instinto de dizer: Pai, perdoa, eles/as não sabem o que fazem!