Opinião
MULHERES DE BALZAC
Em 1854, inicia a Guerra da Criméia. Para conter a Rússia, Inglaterra, França e Turquia fizeram uma aliança e mandaram seus soldados para os campos de batalha. Os combates causaram baixas imensas, e os feridos levados aos hospitais de campanha, dado as precariíssimas condições de atendimento, enfrentavam uma mortalidade de 40% de seus ocupantes. Situação desesperadora. Uma enfermeira inglesa, Florence Nightingale, idealizou uma unidade de monitoração de paciente grave e partiu para o front, acompanhada por 38 voluntárias. Instalados os seus cuidados, a mortalidade entre os hospitalizados reduziu-se para 2%. Em 1926, Walter Dandy, cria a primeira UTI em Boston. Após a Segunda Guerra, um médico sobrevivente dos campos de concentração nazistas, Peter Safar, torna-se o primeiro médico intensivista e, entre outros legados, deixa-nos a técnica de respiração boca a boca e a massagem cardíaca externa. Desde então, a UTI, ambiente de alta complexidade hospitalar, que estabelece monitorizações e vigilâncias completas, 24 horas por dia, passa a reduzir os óbitos em pacientes críticos em até 70%. Hoje, os objetivos da UTI são também proporcionar conforto, alívio e dignidade nos momentos limítrofes dos pacientes críticos. A história dos cuidados intensivos e UTI em Alagoas têm seu cerne em duas médicas da mais alta qualificação técnica e humana: Márcia Rebelo, que pontificou na fundação e aprimoramento da Unidade de Queimados, única no Estado apta a tratar esses complicados casos, é também referência dos médicos e do CRM em bioética e atuante preceptora no HU. E Márcia Pinto, a primeira especialista em Intensivismo no Estado, é professora admirada da Uncisal e foi coordenadora da UTI do HAIA e do HGE por muitos anos, além de notável clínica. Exemplos elevadamente dignificantes, dedicadas formadoras de novas gerações de profissionais, foram homenageadas essa semana pela Academia Alagoana de Medicina, sob a regência de Ednaldo Holanda e pela saudação de Hélvio Ferro, segura referência na especialidade. Elas são típicos e edificantes modelos femininos, como aqueles que inspiraram Balzac, quando afirmou: ?Sentir, amar, sofrer, devotar-se, será sempre o texto da vida das mulheres?. As incontáveis vidas salvas por suas ações jamais poderão lhes agradecer. A medicina alagoana sente-se honrada com seus exemplos.