Opinião
Li��es no meio do caminho dos jogos
Quando da redação deste comentário o Brasil estava na 14ª posição nos Jogos Olímpicos que estão a se travar em Londres. Evidentemente que muita água ainda vai rolar por sob as pontes britânicas e espera-se que a colocação brasileira venha a melhorar. Oxalá! Mas, mesmo melhorando, improvável é um grande salto. Um pulo digno para um país como o Brasil ainda parece distante. Num rápido balanço, percebe-se que nosso País segue se destacando mais nas áreas onde o espontâneo, no descobrir de talentos, ainda é a regra. Assim o velho e bom futebol, apesar das mazelas contemporâneas, continua produzindo astros e estrelas do mais alto nível. Mesmo que o ouro não venha, novamente, a sorrir para nossos e nossas craques, é o Brasil continua sendo uma grande referência neste esporte. Mas nos demais esportes para os quais são necessários o funcionamento de outros mecanismos que não os campos de várzea como minas a céu aberto, a produzir, ininterrupta e espontaneamente, atletas excepcionais. Recentemente, essas jazidas passaram a ser exploradas mais cientificamente pelas chamadas escolinhas, mas a várzea, os campos de areia, continuam sendo o ponto de partida. No mais, todas as modalidades olímpicas exigem longa preparação técnica. E onde está a política de esportes associada ao sistema educacional brasileiro? Onde se pode descobrir talentos, na idade apropriada, senão na escola? E em quantas escolas brasileiras, públicas e/ou privadas, dispõem de uma vertente educacional apropriada para identificar e direcionar seus alunos potencialmente atletas? Os centros que possam se apresentar nesse segmento são rigorosamente, exceções. A regra, infelizmente, é a ausência total de investimentos e políticas (públicas e privadas) voltadas para o estímulo generalizado aos esportes, para a preparação em massa e, especialmente, dos talentos natos. Quem sabe, provocados pela iminência da próxima Olimpíada no Brasil, o poder público e a iniciativa privada venham a despertar, de fato, para o esporte.