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A Justi�a e os veredictos antecipados

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Principiou, ontem, um dos julgamentos mais badalados da História do Brasil. E, fazendo jus às expectativas, inicia com alta temperatura nas polêmicas a partir do que teria sido uma singela questão de encaminhamento; sobre fato já vencido, inclusive. Farta cobertura está montada para acompanhar, em tempo real, todos os lances do julgamento. Sites especialmente construídos para tal já estão em funcionamento, à toda, há semanas. Confia a Nação na parcimônia, já sobejamente afirmada e reafirmada, do Supremo Tribunal Federal, ao longo de sua impecável história. Este é mais um processo a ser julgado e nem será o pioneiro em termos de cobertura ao vivo. Apenas, é o, até agora, mais efervescente ? mas não chega a ser explosivo, no rigor do termo. O fundamental em todo este processo é a consolidação do ideário da exigência da ética na prática política no Brasil, e sob este prisma se entende a onda de pressão desencadeada sobre este processo. Justíssima é a bandeira de combate à impunidade. Compreensível também é o viés político a nortear as muitas mãos que empalmam esta bandeira, assim como é perfeitamente entendível a gigantesca pressão midiática sobre o processo em tela. Mister se faz o redobrar de cuidados acerca dos prejulgamentos. Não são poucas as experiências onde as campanhas da opinião pública conduziram a atropelamentos dos processos democráticos e até a desenlaces trágicos, como no caso do suicídio do presidente Getúlio Vargas, cometido em 13 de agosto de 1954, depois de se ver sem saída, engolfado numa poderosa campanha de denúncias (algumas verdadeiras) transformada num linchamento político a céu aberto. Julgar com imparcialidade é qualificação própria aos sistemas democráticos, assim como o é a liberdade de expressão e de imprensa; assim como o é o pleno direito de defesa. Muitos querem enxergar o julgamento do ?mensalão? como mera formalidade destinada unicamente a referendar o veredicto já definido pela grande mídia. Ledo engano. A Justiça, suprema, está acima das manchetes.

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