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JOGO LIMPO

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A promissora judoca brasileira Renata, após dar um wazari espetacular na adversária, ao invés de sair vitoriosa, foi sumariamente desclassificada dos Jogos Olímpicos. Seu desespero foi comovedor, mas os juízes foram inflexíveis: usara golpe recentemente proibido. Revezaram-se os judocas; com derrotas e vitórias, onde predominou o mérito. Ao final, o judô deu ao Brasil quatro medalhas, sendo uma delas de ouro; todas conquistadas com imenso esforço e jogo limpo. O judô, responsável pela maior parte das nossas medalhas olímpicas, tenta retornar às suas origens e radicaliza suas regras. Esporte criado por Jigoro Kano, em 1882, mesmo sendo uma arte marcial, clama posturas e princípios em sua prática. Como, aliás, devem ser os esportes olímpicos; evidente que existem fraudes e juízes facciosos, mas são exceções. No mesmo dia que a judoca Mayra ganhava, com muito mérito, mais uma medalha, dividia a audiência com o início do julgamento do mensalão, onde já se arguia à suspeição de um dos ministros: Dias Toffoli, que, em nome da moral e dos bons costumes, deveria se declarar impedido de atuar nesse processo. O julgamento do mensalão é o maior processo dos 121 anos de história do tribunal e é também o caso mais complexo e de maior impacto político levado ao exame da corte. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o mensalão foi um esquema ilegal de financiamento público, organizado pela cúpula do PT para garantir apoio ao governo comprando votos no Congresso Nacional no primeiro mandato de Lula. Naquela ocasião, o ex-presidente, referindo-se ao fato, declarou ?sentir-se traído por práticas inaceitáveis dos companheiros?. Com o tempo, sua postura mudou e passou a rejeitar a existência do esquema ilegal: seria demais exigir jogo limpo? O julgamento do mensalão produzirá decisões que se tornarão referência para processos futuros, conceitos penais para quesitos como compra de apoio parlamentar e definição de organização criminosa. Está em julgamento aquilo que a sociedade brasileira aceita ou rejeita na esfera das práticas públicas. Espera-se que, amparado na técnica jurídica, o STF fixe um parâmetro histórico capaz de coibir abusos no exercício do poder. Da política não se deve esperar muito, mas do Judiciário, como do esporte, o mínimo que se espera é cristalina ética; inequívoco critério e absoluta honestidade: jogo limpo.

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