Opinião
Nosso ouro: da bola para as argolas, o real
De onde não se esperava, saiu, finalmente, mais um ouro salvador da pátria, catapultando o Brasil, na manhã de ontem, por nada mais nada menos que seis degraus no pódio geral das medalhas nos Jogos Olímpicos de Londres. Arthur Zanetti é o nome do herói até então desconhecido do público e ignorado pela mídia especializada. Afinal, quem ia mesmo prestar atenção numa área na qual o Brasil nunca havia plantado uma semente? As temíveis argolas, historicamente, eram campo tido como privativo de tradicionais potências olímpicas, como a antiga União Soviética, e nos últimos torneios de porte sobre a modalidade imperava o chinês Yibing Chen, simplesmente o campeão em Pequim 2008, e tetracampeão mundial juramentado e em plena forma. Pois o brasileiro de nome mais para o italiano foi lá, tranquilo e seguro, e abiscoitou o ouro, desbancando o chinês ao apagar das luzes da contenda, posto ter sido o derradeiro atleta a se apresentar. E o fez em grande estilo, sem amadorismos nem voluntarismos, mas seguindo uma estratégia impecável, planejada por quem tem plena consciência de seu potencial. Ressalvadas as implicações do fuso horário sobre a computação dos resultados em Londres e sua divulgação no Brasil, amanhecemos na segunda-feira num deplorável 27º lugar, abaixo (com todo o respeito) da Etiópia, Jamaica, Quênia... Graças ao espetáculo de Arthur Zanetti nas argolas, nosso País logrou encostar-se a Cuba, outrora potência olímpica, que (na tabela das 15 horas, horário de Brasília) estava aferrada no 20º posto (cuja única vantagem sobre nosostros era uma mera medalha de prata). O planejamento, o treinamento adequado, e o uso combinado entre corações e mentes, ao fazer despontar um inusitado campeão olímpico, tem o condão de apontar para um caminho. Via esta onde o profissionalismo substitui as veredas da badalação e do voluntarismo. Até agora, este é o exemplo positivo mais marcante para o Brasil nesta Olimpíada. Oxalá despontem outros, porque de destaques negativos já estamos cheios.