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Opinião

Ainda a dupla jornada feminina

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Não é novo o tema (a múltipla jornada de trabalho feminina), mas é sempre instigante. Em estudo divulgado em julho pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), os resultados apontam para a constatação de que, no Brasil, as mulheres trabalham mais que os homens. Fator determinante para esta conta de horas trabalhadas é a famosa ?jornada doméstica?, turbinada por um hábito cultural considerado um sintoma de pouca evolução na civilidade, que é o fato da carga de labor no lar ser descarregada fundamentalmente sobre a mulher. Resquício da tese sobre as ?prendas domésticas? que, num passado não tão distante, era condição sine qua non para uma jovem ser considerada qualificada para o sagrado compromisso do casamento. Os tempos mudaram, mas muitos dos hábitos familiares confirmam suas raízes bem fincadas num Brasil provinciano. Pelo menos isto é o que se pode colher nos números, referentes a 2009, analisados pela OIT, de onde se percebe que a jornada de trabalho feminina é maior que a masculina em cinco horas por semana. Garante a OIT que os brasileiros ?trabalham, em média, 43,4 horas por semana no mercado de trabalho e outras 9,5 horas em casa, perfazendo uma jornada semanal de 52,9 horas. Ao mesmo tempo, as brasileiras têm uma jornada total de 58 horas semanais, sendo 36 horas no mercado formal de trabalho e 22 horas em casa?. Mais: ?Entre o conjunto das mulheres brasileiras inseridas no mercado de trabalho, 90,7% também realizava afazeres domésticos, enquanto entre os homens tal proporção é de 49,7%. Essas trabalhadoras, além da sua jornada semanal de 36 horas, em média, no mercado, dedicavam cerca de 22 horas semanais aos afazeres domésticos, ao passo em que entre os homens tal dedicação era de 9,5 horas semanais, ou seja, 12,5 horas a menos?. A realidade vivida pelas brasileiras tem registrado progressos em todas as faixas do mercado de trabalho. Exemplo é a criação do neologismo ?presidenta?. Grandes vitórias. Mas, literalmente, temos ainda muito trabalho para fazer.

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