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POR QUE EU?

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Qual o cronista que não gostaria de escrever sobre assuntos alegres, que provocam sorrisos e risos, que têm em seu conteúdo um bom comentário ou uma boa expectativa. Mas nem sempre é assim. A vida tem suas durezas, desilusões e amarguras. E quando as coisas não vão boas ou acontece uma tragédia há quem sinta atenuar-se a esperança. E aí vem a pergunta: ? por que eu? Meu amigo Porfírio, que ouviu essa pergunta, respondeu de uma maneira original: de dores e sofrimentos pouca gente escapa. A vida é como a lua: há momentos de quarto crescente e de lua cheia; vem a seguir o quarto minguante até a escuridão. Na reunião de amigos do fim da semana passada, uma pergunta esteve em pauta: há uma epidemia de câncer na cidade? Um dos companheiros informa que em cada rua do seu bairro há uma pessoa portadora dessa doença. Dr. Tavares, médico que sempre participa desse grupo, explica que não. Epidemia é quando a doença acomete um número grande de pessoas, ao mesmo tempo, multiplica-se e vai se alastrando. Uma informação foi relatada: o câncer é a segunda causa de mortalidade no Brasil, atrás apenas das doenças cardiovasculares; e, mais, a cada ano são registrados 500 mil casos novos dessa moléstia. Uma história recente. Heloisa, 40 anos, engenheira, bem sucedida, foi acometida por um tumor maligno no pulmão. Até então vivera para o trabalho e o conforto material. Foi submetida à cirurgia, mas o câncer sofreu uma metástase, apareceu em outro lugar, no colo do útero. Desesperou-se, entrou em depressão ? quantas vezes tenho de ter câncer? Repetia para a família. E acrescentou ? estou sem saber o que fazer depois que meus planos de vida desmoronaram. Independentemente do tratamento específico da moléstia foi aconselhada a procurar um psicólogo. O processo de terapia ajudou-a a explorar seu mundo interior restabelecendo um pouco de sua autoconfiança. Conselho recebido: pense positivamente e estará ajudando sua cura. Tudo que você está vivendo agora poderá estar superado nos próximos meses. Heloisa reexaminou sua vida, corrida, apressada, em que esquecia de curtir os prazeres do dia a dia. Recuperou a fé que se perdera no caminho. A cura do corpo foi acompanhada da jornada de recuperação da mente. Um trabalho comunitário passou a fazer parte de seu cotidiano; virou voluntária.

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