Opinião
ESPA�O SAGRADO: LUGAR DE TEOFANIA
O mundo atual está repleto de apelos, bombardeando-nos através dos sentidos. Dentre esses sentidos, nenhum outro sofre tanto quanto a visão e a audição. Há um excesso de informações em tempo real pela via cibernética e há também os apelos visuais e a multiplicidade de sons nas ruas das nossas cidades. Nesse contexto, onde repousar o nosso olhar? Onde pararmos para contemplar o silêncio? Onde experimentar o vazio que nos coloca em contato com nossa interioridade? O lugar por excelência para esse momento sabático dos nossos sentidos deveriam ser os nossos templos. No entanto, o que vemos hoje em nossas igrejas nada mais é do que a transposição dos mesmos apelos visuais e sonoros do mundo profano. Quem adentra em nossos espaços sagrados em busca de descanso, perceberá nossas igrejas repletas de banners, flores artificiais, murais, cortinas, imagens ? às vezes de gosto duvidoso ? em excesso. Tudo concorre à dispersão, pois já não se sabe encontrar a beleza no silêncio e no vazio. O espaço sagrado surgiu para ser um lugar de encontro. Não um encontro forjado pelo homem, mas o encontro cuja iniciativa é do próprio Deus, que ali se manifesta. No Antigo Testamento, a tenda e, posteriormente, o templo, eram lugares por excelência de teofanias. ?Entremos no lugar em que Ele habita? (Sl 131, 7a). Por isso eram lugares também de repouso, porque repletos de Deus; e só em Deus a nossa alma encontra descanso (cf. Sl 61,2). Na plenitude dos tempos, o Verbo encarnado revela-se como o verdadeiro templo. Por seu aniquilamento, na humanidade por Ele assumida, Cristo foi totalmente revestido da vida nova no Espírito Santo. ?Nele habita corporalmente a plenitude da divindade? (Cl 2,9). Por isso, Cristo é verdadeiramente o lugar da teofania de Deus. Os nossos templos devem ser sacramento desse esvaziamento do Verbo eterno feito homem. Espaços simples, vazios do supérfluo, do demasiadamente mundano, para que Deus ali possa se manifestar, possa falar ao nosso coração. E no encontro com a Beleza do essencial, que eleva o nosso olhar e purifica os nossos ouvidos, possamos exclamar como o salmista: ?Minha alma desfalecida se consome suspirando pelos átrios do Senhor. Meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo? (Sl 83,3).