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A quest�o social e a velha malandragem

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Como é público e notório, não é nada fácil trabalhar com o social. E seculares (senão milenares) formas anárquicas de comércio ?popular?, como nos casos dos camelôs de endereço fixo, exigem muita firmeza por parte do poder público na abordagem do problema. Salvo raras exceções, esses formatos do chamado ?comércio popular? findam em constituirem-se problemas para a urbanidade, demonstrando incrível apetite na privatização de áreas públicas sob a desculpa de realizar essa expropriação em nome dos ?mais pobres?. E os sítios públicos mais cobiçados são exatamente aqueles de maior importância para o exercício de um direito humano básico, o de ir e vir. Para esse tipo de comércio invasivo, o ir e vir do cidadão passa a ser domínio de um grupamento de comerciantes que, ao fim e ao cabo, forçam ao transeunte o imprensamento entre barracas de todos os tipos numa via crucis cujo objetivo é oferecer, ao longo de labirínticas veredas, toda a sorte de quinquilharias. Quando o poder público, indiscutivelmente atrasado, procura chegar-se a essas áreas degradadas para restabelecer as normas urbanas, é um escândalo! Chovem acusações acerca da iminência do pão ser tirado da boca do pobre. O objetivo, invariavelmente, não é apenas manter a bagunça, mas ampliar-lhe a área ocupada. Assim é o caso atual dos feirantes da Praça dos Palmares: depois de gordos investimentos feitos pela prefeitura com a construção de um contemporâneo shopping popular, para onde foram deslocadas as centenas de comerciantes que infestavam a região, novos centos de comerciantes arrostam, à toda, para infestar a mesma área urbana. Tamanha é a disposição que nem a tropa de choque é respeitada. Certa é a questão social, mas igualmente evidente é a malandragem: além das novas áreas amealhadas no Shopping Popular, o antigo perímetro ocupado não será devolvido à comunidade. Quem duvidar, basta observar: candidamente estacionados, carros (novos) estão sendo usados como barracas, marcando a reocupação do terreno pela ?camelotagem?.

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