Opinião
Quando o vizinho j� n�o mais luxa
Embora exista quem considere o nicho das grifes mais chiques um deplorável segmento de mercado, é inegável ser o comércio de luxo um indicador digno de ser levado em conta nas análises econômicas. A esquerdista China, em seu crescimento pós-Deng Xiaoping, é caso emblemático desta constatação com suas avenidas dedicadas ao alto luxo, cuja concentração de marcas famosas capitalistas atestam a solidez do crescimento econômico chinês sob a batuta do velho Partido Comunista. Colocadas essas observações sobre os significados do estado de saúde das maisons sofisticadas em qualquer economia, mister se faz prestar atenção na onda de fechamentos de marcas de luxo na Argentina. Em simultâneo, nos últimos meses, quatro sucursais de marcas globalizadas (Polo Ralph Lauren, Yves Saint Laurent, Calvin Klein e Escada) cerraram suas portas, arrumaram suas malas luxuosas e deram no pé do território portenho. A justificativa oficial indica uma reação dos empresários frente às medidas do governo Kirchner em impor restrições aos negócios em dólar, exigindo reciprocidade ao pé da letra, ou seja: quem importa, tem de exportar no mesmo diapasão. Mas os comentários apontam para um problema mais profundo: a redução ampla, geral e irrestrita do poder de compra dos argentinos. O dinheiro estaria escasseando também nos bolsos mais ricos. Para os economistas da União Industrial Argentina (UIA), a barreira comercial imposta é um problema sério, mas não o único nem o principal. ?O mercado é pequeno, não compensa. Não há aqui escala para que elas [as griffes] tenham lucros?. Para uma sociedade que se envaidecia de ser a ?Europa na América Latina?, esta é uma realidade dramática. E esses são sinais de uma economia incapaz de resolver seus problemas, desde as camadas mais aquinhoadas; e o que dizer, neste realidade, das camadas menos favorecidas? Para nossos parceiros em empreitadas como o polêmico Mercosul, ficar de olhos abertos é questão de sobrevivência. Para o Brasil, especialmente, já passa da hora de se precaver frente aos ventos frios austrais.