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Os riscos evidentes de um sistema exaurido

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Sempre de olho no dia de amanhã, os britânicos, há tempos, se debruçam sobre os chamados países emergentes, e, notadamente em tempo de jogos olímpicos, fazem suas ilações sobre as Olimpíadas depois de Londres. E chegam a uma antevisão tão óbvia quando preocupante. Enxergam os ingleses mais um problema para as próximas atrações esportivas anunciadas para o Brasil: a telefonia celular. A badalada revista britânica The Economist, na edição impressa ainda em circulação, avalia ser real o risco de um ?apagão? nas telecomunicações por ocasião dos dois principais eventos esportivos mundiais (Copa do Mundo e Olimpíadas) a serem abrigados em terras brasileiras em suas próximas edições. A reportagem, em verdade, nada traz de novo em termos técnicos. Aponta, isto sim, para a magnitude de um problema brasileiro que, apesar de estar sendo tratado, ainda não apresenta resultados animadores em seus prognósticos. Sem subterfúgios, faz-se necessário reconhecer estar o Brasil pagando o preço por um processo nebuloso de privatização das telecomunicações. Apesar de ainda hoje ser uma espécie de tabu falar nisso, é bom não se esquecer do apelido dado àquelas negociações: privataria. Hoje, como The Economist avisa, ulula o risco de apagão quando de eventos multiplicadores da demanda sobre sistema extenuado. É de simples compreensão o problema, pois a equação básica aponta para um afã irrefreável na venda de linhas móveis em simultâneo a imobilidade férrea dos investimentos para capacitar esse sistema em responder a tamanha explosão de demanda. Malgrado a simplicidade no equacionamento, não é nada simples a solução, posto as empresas dominadoras desse mercado demonstrarem pouca, ou nenhuma, sensibilidade aos apelos governamentais para que venham a honrar seus compromissos. Em tempos de crise grave no Velho Mundo, onde estes grupos têm suas matrizes fincadas, torna-se ainda mais difícil reduzir o apetite por lucros, matematicamente reduzidos se forem realizados os investimentos necessários.

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