Opinião
Um melanc�lico melhor resultado
Destarte o número de medalhas ter sido o maior, 17, já arrebanhado nas Olimpíadas, o passo adiante foi tão pouco percebido que, apesar das 3 de ouro, 4 de prata e 10 de bronze, os resultados das seleções masculina e feminina no futebol e a perda, de virada, do time de vôlei masculino na final contra a Rússia, empurraram a moral olímpica brasileira para o fundo do poço. Malgrado o dístico cravado pelo Barão de Coubertin, ?o importante não é vencer, mas competir?, todos competem pelo ouro. Todos, menos Estados Unidos e China, sabem ser, nos dias em curso, impossível aspirar ao primeiro posto no pódio geral das medalhas, mas todos querem ?seu ouro?, ou seja, ganhar nas áreas onde dispõem de chances reais. E o povo brasileiro sabia que poderia levar o ouro no futebol; perdeu, de saída, no time no qual depositava suas maiores esperanças, o feminino. E perdeu onde tinha certa desconfiança, o masculino, que como para machucar mais o amor-próprio da ?pátria em chuteiras? superou-se e reacendeu o ânimo brasileiro, alcançou a final e lá tropeçou frente ao México. Dor grande, não tão dorida como a perda da Copa de 1950 no Maracanã, mas muito sentida. As 17 medalhas destas Olimpíadas não são número suficiente para fazer descer fácil a 22ª posição. Afinal, nosso Brasil, a 6ª economia do mundo, um emergente juramentado, situou-se abaixo de países tidos como economias atrasadas e regimes não-democráticos, como Cuba (16ª), Irã (17ª) e Coreia do Norte (20ª). Tamanho é o acabrunhamento tupiniquim que nem mesmo a desastrosa participação argentina (70ª posição) animou os piadistas de plantão. Antes de analisar as razões deste resultado, necessário se faz aplaudir os atletas que, ganhando ou não medalhas, suaram a camisa para representar o País. Todos estão de parabéns! Depois, é indispensável avaliar nossas participações olímpicas e, nos próximos quatro anos, trabalhar para que este gosto amargo não marque nossa participação. Estaremos em casa e com o coração transbordante de esperanças. Daí, precisamos cobrar mais de nossas autoridades e de nossos cartolas olímpicos.