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Opinião

UMA NOITE MUSICAL

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No último dia 2, no IHGAL, tivemos a grata satisfação de assistir a um belo espetáculo musical, muito bem organizado por Luciana Moliterno, numa carinhosa e expressiva homenagem aos seus pais, já falecidos: Carlos e Anilda Moliterno. Por algumas horas, estivemos envolvidos pelo encantamento que essa arte nos oferece. Através de vozes maviosas, escutamos um repertório cuidadosamente escolhido, e nos surpreendemos com o número de artistas que tomaram parte, nesse agradável momento de enlevo. Compondo o elenco participaram: Nina Angelo e Mirtef Barradas, donas de grande talento e que eu não tinha ainda tido o prazer de ouvir; e as nossas habituées e admiradas: Luciana Moliterno e Madalena Oliveira, que nos ofereceram algumas de suas mais admiráveis interpretações. Houve, também, números de declamação a cargo da já consagrada, Neilda Cavalcanti, que, com sua aguçada sensibilidade, interpretou os belos versos da grande obra de Carlos Moliterno: A ilha, e da de Anilda Leão, O arquipélago. Luiz Carlos Angelo e Selma Britto arrancaram expressivos aplausos ao interpretarem, com virtuosismo, algumas peças ao piano e Miran Abs nos embeveceu com seus números de flauta e de violoncelo. Sem contar as cenas transmitidas pelos vídeos que nos trouxeram recordações deliciosas do saudoso casal. Carlos Moliterno e Anilda Leão foram expoentes na vida literária das Alagoas. Por muitos anos, ele ocupou com brilhantismo a presidência da Academia Alagoana de Letras. Muito se esforçou pelo sucesso da mesma. E não foram poucas as insignes reuniões que realizou na sua sede da Praça Deodoro, além de ser um excelente intelectual, cuja obra mais conhecida e admirada é A ilha, coleção de poesias em torno de um único tema que ele desenvolve com uma graça e sensibilidade admiráveis. E como resposta, dizia Anilda: ?por não ter sido citada em seus versos?, escreveu O arquipélago, tão belo quanto os poemas do marido. Anilda era uma pessoa inteligente e espirituosa, que gostava de introduzir nos seus números de canto um pouco de comicidade, tornando-os leves e aprazíveis. Não houve muita propaganda do espetáculo, mas mesmo assim o IHGAL se encontrava lotado. Foi realmente um recital que ficará para sempre nos anais artísticos da sociedade alagoana.

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