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A hora do vulc�o

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RONALD MENDONÇA * Vadinho é o sedutor personagem de Dona Flor e Seus Dois Maridos, saborosa crônica da vida boêmia soteropolitana dos anos 30-40 do século passado. Malandro, mulherengo, cachaceiro e jogador, o finório Vadinho entrou de sola, incendiando o coração e o resto do corpo da quase ingênua Flor, até então uma pacata professora de culinária baiana. Nada demoveu a prendada donzela de se unir ao boêmio conquistador, a despeito de tudo indicar que aquilo não poderia dar certo. Bem, o resto da história é também conhecida de todos: menos por ele e para espanto de todos, o casamento sobreviveu até o dia em que, minado pelos excessos, Vadinho tem morte súbita, travestido, num bloco carnavalesco. Flor encontraria alguém, o metódico e certinho farmacêutico Teodoro (se não me engano, o nome é esse), que sistematicamente ?comparecia? às quartas e aos sábados, quando então bisava. Mas o amor transgressor do malandro deixara marcas profundas na ex-viúva, impondo a Jorge Amado, autor da obra, a caricatural ?ressurreição? de Vadinho que passa a dividir com o ascético farmacêutico a cama e os carinhos da encantadora e vulcânica Flor, afinal prenhe de felicidade. Do desfecho non sense do romance, pulo para essa iminente e previsível final de eleições, pedindo perdão aos leitores (e eleitores) pelas inevitáveis inverosimilhanças que surgirem. Hoje, ninguém acredita que o candidato governista possa quebrar a banca e virar o jogo a seu favor. Serra, apolíneo como o Dr. Teodoro, será preterido. A leitura das pesquisas permite que se conclua que mais do que uma simples ?intenção? de votos, o eleitorado está com a inabalável ?determinação? (meio ?seja o que Deus quiser??) de fazer Lula Presidente. Inútil se dizer que o candidato do PT é semialfabetizado, que não tem curso superior, que come pelas mãos dos outros e que tais. O homem está ungido. Se fosse jogador de futebol, faria gol até de costas. Também o versado Serra - sim, ele mesmo - não é formado. Sua titulação universitária é sui generis, para não dizer surrealista, posto que é um pós-graduado sem ser graduado. Bom, a essa altura isso não tem mais a menor importância. Surrealista mesmo é a fala do Presidente FHC. Quando Serra estava atrás de todo mundo, FHC transformou-se no maior cabo eleitoral da candidatura de Lula ao espalhar que, num eventual segundo turno com outro candidato, ficaria com ele. Agora - sem sucesso - alardeia horrores do oponente, num inconcebível terrorismo eleitoral. É como se diz: ?Água de morro abaixo, fogo de morro acima e o povo quando quer, não há força que segure?. (*) É MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL

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