Opinião
Desenergizando o futuro mundial
Num mundo cada vez mais sedento por energia, preconceito e modismos ?científicos? têm conseguido ampliar os problemas naturalmente existentes e, num resultado tão prático quanto perverso, logram postergar iniciativas importantes voltadas para a ampliação (indispensável) da atual capacidade de geração de eletricidade no mundo. E menos energia, inexoravelmente, significa menos desenvolvimento. A cada dia, os vetos dos ambientalistas se radicalizam, e ampliam seus sucessos reacionários, contra as principais fontes de geração de energia. As hidrelétricas são vistas como algo ?do mal?. Nesse item, o futuro do Brasil está sendo prejudicado por bem orquestradas campanhas contra as usinas projetadas para a Amazônia. Noutra ponta, a opção atômica continua sendo alvo de forte condenação, apesar das provas irrefutáveis do quanto a ciência tem progredido em termos de segurança nuclear. Exemplo disso é a evolução tecnológica da usina de Fukushima, onde um reator antigo, mesmo atingido por um dos cataclismos mais terríveis já sofridos na região, rachou e incendiou, causou fundas preocupações, mas sustentou-se firmemente, sem causar nenhuma morte. Já desativado, a resistência do reator de Fukushima é a prova de que os tempos de Chernobyl são coisas do passado. As novas tecnologias comprovaram-se competentes para evitar acidentes fatais. Mas o temor aos fantasmas da radiação atômica é algo real. Funciona como um freio reacionário a obstar a evolução do uso pacífico desta forma de energia limpa: a força nuclear. Capitulando frente a uma feroz campanha global, onde as vítimas do tsunami foram computadas, descaradamente, como causadas pelo acidente nos reatores de Fukushima (que também não registrou nenhum problema grave de saúde), o Japão desativou 50 reatores atômicos. Ao mesmo tempo, na Europa, a Alemanha passou a prometer abandonar a geração de energia pela via nuclear até 2022. Mas quais as soluções práticas, sustentáveis (verdadeiramente), para a geração de energia no volume que o mundo está a necessitar?