Opinião
GREVES E INTOLER�NCIA II
Na hipótese em comento, não foram apenas os professores que decidiram, com absoluta justiça, postular reajuste salarial, inquestionavelmente defasados os seus vencimentos. Inúmeras categorias não suportam mais o sufoco e, frente aos gastos desnecessários do governo federal com criação de ministérios, secretarias no mesmo nível, agências reguladoras que somente atrapalham e beneficiam os seus seguidores, pedem justiça, puramente. Foi, pois, alusão ao bem redigido comentário do íntegro e culto promotor de Justiça, dr. Maurício Pitta, tratando, exatamente, deste assunto. Houve referência ao ministro da Educação Aloizio Mercadante. Entendi oportuno registrar aqui uma frase deste ministro, quando à época exercia o elevado cargo de chefe do Departamento de Economia da PUC-São Paulo: ?inúmeros são os professores que, com prejuízo para a qualidade dos serviços que prestam à universidade, são obrigados a procurar outras fontes de renda?. A sua condição de economista respeitado e a sua posição naquele tempo, segundo publicava a revista Veja de 4 de julho de 1984 (hoje, entendida como oportunista porque se elegeu senador com alentada votação), transformando-se profundamente. Ora, como se imaginar que um técnico de seu gabarito, um parlamentar da alta casa do Congresso Nacional e ministro da Educação, lance argumentos inaceitáveis, sabendo-se que a categoria é mal remunerada, não recebe estímulos, falta material essencial ao seu trabalho de turno, etc., etc., etc. (daí, a necessidade de busca de outras fontes de renda, como diria o próprio Mercadante)? Escrevi, ainda, e repito, que os hospitais estão sucateados, os doentes espalhados, amontoados (e humilhados), como animais nos corredores, falta de medicamentos, de médicos e servidores de apoio, péssima remuneração atribuída aos médicos e auxiliares (que necessitam recorrer a outros trabalhos para sobreviverem com suas famílias). Finalmente, elogiamos a presidente no aspecto humanitário que sempre se mostra em suas aparições, mas não só de ?Bolsa Esmola? pode um país pretender ser grande e desenvolvido. Ao permanecer esse estado de coisas, arremato: teremos, no futuro, uma nação praticamente de analfabetos e preguiçosos e a abolição da antiga classe média, em extinção, que sempre bancou a ostentação de dirigentes e seus séquitos insensíveis.