Opinião
Um gesto de coragem pessoal e de cidadania
Merecidamente, o fato do desembargador presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas ter, destemidamente, reagido à provocação de uma súcia autodenominada de ?sem terra? e, pessoalmente, ter desarmado um desses baderneiros, ganhou as páginas dos principais veículos de mídia do Brasil. Uma foto deste ato de afirmação da autoridade cidadã foi destaque na edição do sábado (18 de agosto) de um dos principais jornais de São Paulo. O gesto corajoso do magistrado merece ser entendido como uma reação digna de ser replicada no resto do Brasil. Pois o País sofre, há anos, como numa reação equivocada à truculência do regime autoritário vigente entre 1964/1984, uma grave sublimação à truculência dos chamados ?movimentos sociais?. Como resposta estúpida às estupidezes cometidas em nome da concepção de que ?questão social é caso de polícia?, imprimiu-se a tudo que venha a se autodenominar de ?protesto social? uma armadura indevassável de impunidade, como se toda violência arguida como sendo de alguma motivação ?social? estivesse destinada a passar incólume às leis e à Constituição. A baderna passou a ser protegida por uma pretensa legislação maior, onde a permissividade é a tônica vigente. A contemplação passou a ser a ordem do dia para as forças policiais frente aos grupos e grupelhos que, por quaisquer motivos, venham a se achar no direito de ocupar praças, impedir o tráfego, invadir órgãos públicos e propriedades privadas, depredar bens públicos e privados, e tudo o mais que fusão entre as frustrações e deformações sociais possam fazer germinar nos corações e mentes revoltadas ? e cujos atos de ?descarrego? possam ser invariavelmente tolerados e acobertados por um Estado leniente. A errada prática do ?baixar o cacetete no lombo dos subversivos? foi substituída pela igualmente equivocada política do ?passar a mão na cabeça dos coitadinhos?. Num momento adequado, o Poder Judiciário alagoano reage em defesa da cidadania e do Estado de Direito Democrático, através de um gesto de coragem pessoal do desembargador presidente. Parabéns!