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Opinião

O QUE VIVI NOS MEUS LONGOS ANOS!

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Desde que alcancei a idade da consciência, tantas coisas se passaram pela minha vida, que daria para escrever uma pequena enciclopédia. Houve tantas mudanças no mundo e no meu grande país que, às vezes, fico a matutar em como o tempo correu! Mal atravessei um século e, depressa, me encontro no décimo segundo ano do seguinte. Mas em todo esse período, nunca tive o prazer de ver o planeta gozar de uma paz duradoura, em que os seres humanos se conjugassem num entendimento fraterno. A inteligência se desenvolveu rapidamente para o bem e, infelizmente, do mesmo modo, para o mal! Nasci quase no final de uma Grande Guerra, que levou o mundo a uma perigosa mudança social. Que respingou por todos os países, dividindo consciências em políticas totalmente inconciliáveis. Ainda menina, vi meu pai partir para uma revolta em São Paulo, numa disputa entre o que era a chamada República Velha e a Aliança Liberal, liderada pelos que apoiavam Getúlio Vargas. Homem de vontade ferrenha, terminou, num golpe de Estado, se aboletando no nosso governo, introduzindo algumas melhorias no País, mas impondo uma ditadura que nos trouxe a tirania e a corrupção. Depois fui com minha família parar em Mato Grosso, para onde meu pai foi mandado, para tranquilizar os políticos da oposição, ameaçados pela sanha do governador, diante da irresponsabilidade do general comandante da região, a quem competia esse papel. Apesar de ainda major, por ser um homem digno, meu genitor foi substituí-lo. Pouco tempo depois, Hitler iniciou sua investida desumana contra a Europa, que se estendeu por quase todo o mundo. Uma das piores guerras a que a humanidade já assistiu. Os japoneses e americanos do Norte ainda prolongaram essa luta por mais um tempo, porém, com o surgimento da bomba atômica, lançada sobre o Japão pelos americanos, a batalha terminou. Houve guerra no Vietnã, na Coreia, no Egito, no Paquistão, na Bósnia, no Líbano e, desde então, nunca mais o Oriente Médio viu a paz. Aqui, no Brasil, tivemos uma ditadura militar, que felizmente nos livrou de nos terem transformado numa Cuba. Muitos sofreram, mas voltamos à liberdade. Durante todo esse tempo, o desenvolvimento da ciência foi notável, sobretudo na informática e na medicina. As descobertas de terríveis artefatos de guerra quase sempre abrem as portas da ciência para usá-los em benefício da evolução de elementos para a paz. E quanta coisa fantástica ainda estará para vir! Mas a paz, a compreensão entre os homens, será que chegarei a ver?

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