Opinião
POBRES MENINOS RICOS
O que faz um jovem de classe média alta entrar para o mundo do crime? Será que o pai pode coçar a cabeça e perguntar: onde foi que eu errei? Não sou psicólogo nem estudioso no assunto, mas como pai e avô percebo, claramente, que o mal deste século é a excessiva permissividade. O ?não? é uma palavra que caiu da moda na relação entre pais e filhos. Desde pequena, começando a andar, a criança pode ficar traumatizada se alguém gritar para ela um ?não? quando estiver por alcançar um objeto. Mais tarde, vêm os desejos incontidos pelo bolso frouxo dos pais. O mundo se torna competitivo e tudo o que o outro tem é cobiçado também. Daí por diante, ninguém mais segura. A realidade é que esta sintonia consumista e esbanjadora, velada pelas redes sociais que são alimentadas, diariamente, com as mínimas informações pessoais, fomentam o desejo e a glória. Ninguém quer parecer menor ou pior. É quando a fórmula da ?facilidade? é inserida no meio social por um líder. Rapidamente, estas mentes não medem consequências e vão em busca de enriquecimento e poder. Muitas vezes, os pais não são muito diferentes dos filhos e vivem a aparente ordem que o brilho espelha nas imagens da vida social. Quando não se dão conta de que os filhos estão envolvidos com drogas, são surpreendidos com tráfico, estelionato e outros esquemas facilitados pelo mundo virtual. É tarde, ninguém conhece os seus amigos e as suas relações na universidade ou faculdade nem existem. O Brasil é um país que encoraja o jovem para o mundo do crime. Nada mais convincente do que a impunidade. Ter a certeza de que haverá um dos melhores advogados(pago pelos pais) para defendê-lo e poder responder ao processo em liberdade. Isto é mais do que suficiente para não seguir regra alguma. Coisas simples como: dirigir embriagado, matar, roubar, sequestrar e violentar. Há, também, a questão da impunidade política, onde a corrupção ativa e passiva não parecem crime algum e ninguém perde o halo da autoridade, mesmo quando está sendo julgado. O sujeito está com a merda até os joelhos e continua com a mesma empáfia. Otário sou eu que fico acalentando a esperança de que haja um julgamento justo. Há, sim, um grande circo armado, com direito a plateia ao vivo e televisiva, até que, no final, tudo acaba em pizza, como é costume dizer. Pobre menino rico, filho de um destes que giram o globo terrestre no dedo, como Chaplin em O Grande Ditador. É a vida! É a vida!