Opinião
Desculpas para al�m do Poder Judici�rio
Em carta dirigida ao presidente do Tribunal de Justiça, assinada por quatro entidades auto-apresentadas como ?sem-terra?, são pedidas desculpas pelas agressões cometidas contra os magistrados alagoanos quando dos tumultos durante a recente visita da presidente Dilma a Alagoas. Um passo positivo. Pequeno e relutante, mas em direção a um mínimo de civilidade necessário a quaisquer movimentos que se pretendam dignos da indispensável convivência entre contrários, ou, pelo menos, entre entes distintos, numa democracia. O documento, embora contemple expressões como ?vimos nos retratar e desculpar-nos?, ainda tergiversa e procura espalhar culpabilidade para outrem, ?denunciando? a ação do Bope em disparar ?borrachas e bombas de efeito moral, numa verdadeira ação de guerra contra cerca de 250 trabalhadores (...)?. Ora, se com tal ação ?intimidadora? do Bope, os inocentes em tela ainda lograram cercar os veículos onde estavam os magistrados e, numa paulada certeira, amassar totalmente a tampa da mala do carro do TJ, imaginem se a polícia tivesse deixado o campo livre! Dos males, o menor. O pedido de desculpas do quarteto é um alento. Mas, por via das dúvidas, é indispensável manter-se o Bope e demais estruturas policiais de prontidão, bem posicionadas e adequadamente equipadas para prevenir futuros ataques de fúria durante manifestações públicas. Igualmente, se faz necessário reorientar os órgãos de segurança sobre a necessidade de preservação dos limites em defesa da cidadania quando a presidente da República não esteja visitando o Estado. Em nenhum momento deveriam ser toleradas as interrupções das vias públicas, invasões e depredações dos espaços públicos e privados, assim como não podem ser aceitas agressões físicas contra quem discorde de tais ?manifestações pacíficas?. E o que fazer quando bens do cidadão simples forem seriamente danificados como aconteceu com o carro do presidente do Tribunal de Justiça ? quem vai pagar esta conta? Ou apenas o TJ merece desculpas?