Opinião
UM PLANO DE CONVIV�NCIA COM A SECA PARA O SEMI�RIDO
Vai e volta ao longo do tempo, e pouco se faz para atenuar seus efeitos. Estamos falando da seca. Um fenômeno natural que ocorre anualmente, com maior ou menor intensidade, na região do semiárido nordestino. Quando, em maior proporção, como atualmente, os efeitos são perversos: baixa disponibilidade d?água e queda da renda familiar. Amparado na determinação do homem sertanejo, urge desenvolver um plano de convivência com a seca para o semiárido. Com o planejamento e a união da classe política, a região do sertão alagoano oferece opções de investimentos no setores agrícola e do turismo como nenhum outro Estado do Nordeste. Citamos aqui três sub-regiões com potenciais para o desenvolvimento agrícola: a que compreende os municípios de Mata Grande, Água Branca, Inhapi e Pariconha para a exploração da fruticultura e do turismo; Vale do São Francisco, de Pão de Açúcar se estendendo até a foz em Piaçabuçu, ampliando a área irrigável de 4 mil para 80 mil ha; cânion do São Francisco, de Piranhas a Delmiro Gouveia, incremento ao turismo amparado nas belezas natural e histórica. São ações estruturadoras que requerem planejamento de projetos que pensem no Sertão em longo prazo e não em medidas imediatistas de liberação de verbas para atenuar o efeito da seca e beneficiar o produtor, que amenizam a situação de dificuldade extrema, mas não resolve. O Canal do Sertão é exemplo de um plano autossustentável para a região, pois vai abrir nova fronteira de produção agrícola e de proteína animal. A chegada d?água em novas áreas que hoje sofre com a seca vai possibilitar o cultivo de hortifrutigranjeiros e o fomento da criação de ovinos e caprinos, além de fortalecer a pecuária leiteira. Isso nos mostra que o sertão alagoano não é problema, é solução para o desenvolvimento estadual integrado. A Bacia Leiteira, cuja matriz é o município de Batalha, tem 2.500 produtores, gera 25 mil empregos e produz 250 mil litros/dia. Em termos de geração de emprego, perde apenas para o setor sucroenergético. Estudos da Embrapa Semiárido instalada em Petrolina sugerem um conjunto de ações a ser desenvolvido pela comunidade ? produtor rural, associações, governos municipal, estadual e federal ? que estimule a implantação de medidas preventivas contra a seca. A principal delas está na união e no diálogo dos moradores da cidade e do campo e na integração das atividades agrícolas e não agrícolas.