Opinião
AS LI��ES DE ELIANA CALMON
Entrou serena, compenetrada, altiva e com gentileza no olhar. Eliana Calmon se dirigiu ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na última sessão de agosto, para enfatizar sua luta por um judiciário diferente. Foi à OAB agradecer o apoio recebido durante sua gestão como corregedora do Conselho Nacional de Justiça. Despede-se deixando esperança com sementes profícuas fertilizadas de coragem e da ousadia de uma magistrada que falou o que todos nós sabíamos, dizíamos, mas que muitos não queriam acreditar. ?A corrupção também se instalou no Poder Judiciário?. Com esta assertiva e os olhos marejados de quem precisava assumir o problema para tentar solucioná-lo, Eliana, mais uma vez, deu a demonstração de que não existe pureza absoluta ou honestidade acima de qualquer suspeita. Relatou alguns casos vergonhosos em que juízes e desembargadores foram aposentados e incitou todos a continuarem na cruzada contra a corrupção que assola o nosso País. Não tisnou a toga da magistratura ao assumir que, até nela, existem pessoas deformadas em caráter e atitude. Ao contrário, deixou que a divindade escondida se fizesse mais humana, revelando o lado frágil também que está suscetível um homem ou uma mulher que envergam o poder de decidir a vida, a liberdade e o destino de milhões de pessoas que confiam que somente eles se acobertam da verdadeira razão e da justiça. Realçou o papel da advocacia quando afirmou, categoricamente, que quem mais conhece o Poder Judiciário são os advogados, em verdadeiro desagravo público e moral a esta profissão cidadã que não teme a valentia dos covardes e nem a força dos tiranos. E aqui ressoo a sua última frase, para garantir a todos os cidadãos que ela continuará na trincheira contra os maus magistrados ao lado daquela que serve de escudo aos amparos aos direitos fundamentais de todos. ?Não se metam comigo, porque estou muito bem acompanhada, estou acompanhada da Ordem dos Advogados do Brasil?. Nós também, digna Ministra, nós também!