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Opinião

GREVISMO SEM LIMITES

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Pegamos o avião cedinho em Maceió, passamos o dia em Brasília trabalhando. A barulhada dos apitaços, buzinaços e dos alto-falantes tornava o ambiente dentro dos ministérios irrespirável. Encerradas as atividades ao anoitecer, tentamos voltar ao aeroporto para pegar o avião, mas externamente, estava ainda pior: os grevistas da Polícia Federal ocupavam toda a Esplanada e o engarrafamento era monumental. Na desesperada tentativa de chegar ao aeroporto, o estressado motorista do táxi cometeu todas as infrações possíveis e xingou os grevistas com todos os palavrões inimagináveis. Mais um dia de caos, cujos transtornos estenderam-se aos aeroportos, onde ou se faziam fiscalizações exorbitantes ou nenhuma fiscalização, resultando em prejuízos para empresas, cofres públicos e maiores para a saúde dos contribuintes. Sobre as reivindicações dos grevistas, a revista Exame de 8/8/2012, trouxe a matéria ?Eles querem sempre mais?, da qual transcrevo parte: de 2003 a 2011,segundo o Censo de 2010, do IBGE,em 88% das carreiras, o setor público paga mais que o privado. De 2003 a 2011,o gasto médio do governo com servidores do Executivo cresceu 123% e a inflação no período foi de 54%. E embora a inflação prevista para 2012 seja de 4,9%, as reivindicações dos grevistas são acima de 60%. Somando-as, o aumento de custos do governo seria de 92 bilhões de reais,50% a mais do que se gasta anualmente.Na Previdência, por ter direito a aposentadoria integral,950 mil servidores usufruem uma bolada de 18 bilhões anuais, média de R$ 5.900, enquanto os 25 milhões de aposentados da iniciativa privada levam uma média de apenas 806 reais. Os bem pagos analistas da Receita exigem 85% de aumento. Mas já receberam 60% em 2008. Reajustes dignos dos tempos de hiperinflação. A situação internacional, onde servidores públicos estão sendo demitidos e os salários rebaixados, é ignorada. Segundo o Ministério do Planejamento, hoje, quem passa em concurso acha que ganhou um direito divino. A partir dali, o Estado teria de servi-lo. Até Lula declarou anteriormente que ?greve não é férias?. Somando descalabros, o Brasil tem 22 mil cargos comissionados; o Reino Unido,300; a Alemanha,170.É o Custo-Brasil, que não deixa o País crescer, acena inviabilizar a indústria brasileira e traz uma ameaça de anarquia ao cenário nacional.

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