Opinião
EVOQUEMOS GRACILIANO RAMOS
Deu-se a largada para a maior festa da democracia. Mesmo sabendo das deficiências que ainda temos em escolher bem aqueles que comandarão nossos destinos, nada como uma eleição após a outra para depurar o sistema democrático. E cá estamos à espera de promessas que, na maioria das vezes, são esquecidas. Na atual, mais doméstica, vereadores e prefeitos são os que mais próximos estão da população, é o momento de comprometer os políticos com nossas reivindicações. E nossos maiores problemas fazem-nos ficar cegos ao ponto de acharmos normais coisas que influem no nosso dia-a-dia. Uma tolice, que nada custa à prefeitura,senão a abertura da devida concorrência pública para a exploração pela iniciativa privada, é a identificação de nossos logradouros públicos. Nenhum gasto para a municipalidade. Um outro, este mais chocante, a não ser na orla marítima e do lado da praia, é o estado em que se encontram nossas calçadas. Já tivemos vereadores com deficiência física e não vimos clamarem por tal calamidade. Também, sem custos para os cofres públicos, já que a calçada é da responsabilidade do proprietário do imóvel. Que falta? Apenas fiscalização. Cada um acha que pode fazer o que lhe vem à cabeça. Resultado: ficam intrafegáveis até para os caminhantes normais, imaginem os condutores de cadeiras de rodas ou deficientes visuais. É um deus nos acuda. Mais uma providência que pode contribuir com a segurança pública, já que a municipalidade não exerce poder sobre essa área, é uma eficiente iluminação nos bairros periféricos. E, mais uma vez, lá estamos nós no contexto. Pagamos na conta da Eletrobras a ?contribuição de iluminação pública?. Que falta? Vontade política. Agora vou tratar de um tema que não se tem dado o devido valor. Sabe-se que ficou proibido, nas mensagens publicitárias dos poderes, fazer menção à ?Administração fulano de tal?. Mas o brasileiro é muito criativo. E se essa criação for à custa do dinheiro alheio, então... Como não pode continuar ferrando o gado com seu nome, levou para a sua administração uma marca, um logotipo que caracterize sua passagem pelo cargo. Umas bandeirolas de um, uma circunferência de outro, quando não se pintam os prédios do poder na cor usada em sua campanha. Os veículos, antes com o ?Poder tal ? Uso exclusivo em serviço?, são envelopados como querem. O cúmulo: tenho documento onde, no cabeçalho, ladeando ?República Federativa do Brasil?, de um lado veem-se as Armas da República e de outro a circunferência que lembra a titularidade municipal. Saudades do mestre Graça, exemplo de administração pública.