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Opinião

A LEI FALC�O ERA MELHOR

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Há uma semana acompanhamos a exibição do guia eleitoral, que mostra na telinha da TV e do rádio um desfile de homens e mulheres ilustrando o cenário ideal para uma boa comédia. No chamado guia dos vereadores estão as mais estonteantes e desconexas propostas apresentadas pelos candidatos, ávidos por uma radical mudança de vida. O sonho de passar no vestibular das eleições para ganhar um emprego público com invejáveis privilégios financeiros, trabalho e esforço zero. Ah, que bom se eleger vereador! Por isso, espremem seus apelos nos curtos espaços de tempo, que as coligações e a Justiça Eleitoral lhes concederam, onde rasgam o verbo, gritam, fazem trejeitos, caras e bocas, uns fantasiam-se de palhaços, pais de santo, qualquer coisa.Vale tudo para encantar o público-alvo, menos um discurso com clareza e conteúdo. Contam-se nos dedos os que possuem esse perfil. No sofá da sala, o eleitor se diverte, se decepciona, se sente agredido pela invasão da sua privacidade, chega a se achar vestindo máscara de palhaço por estar ali vendo aquele bando debochando da inteligência alheia. Esses candidatos não têm auxílio de marqueteiros, são despreparados, muitos, semianalfabetos, usam táticas bisonhas como apelidos ou nomes fictícios que no entendimento deles é vantagem junto aos concorrentes por facilitar a memorização rápida no subconsciente do eleitor. E assim, Ratos, Tiriricas, Baratas, Corruptinhos, Chaveiros, Picolés e Bacurins, por um longo tempo serão os protagonistas do horário nobre de todos os canais da TV alagoana. Chega a dar saudades dos tempos da Lei Falcão, nos anos 80, já nos estertores da ditadura, quando a propaganda eleitoral nos meios de comunicação não passava de um retratinho 3 x 4 sonorizado por uma locução em off que mais parecia narração de corrida de cavalo tal a velocidade da leitura do texto, anunciando nome, currículo e o número de registro do candidato. A lei não lhes dava a liberdade de ocupar o tempo do telespectador conversando bobagens. Naquela época, imagino que a confusão na cabeça do eleitor era a mesma de hoje, não dá pra entender se isso é realmente campanha partidária ou uma cacofonia desvairada de um modelo vencido para se conquistar votos e que ousam chamar de marketing político.

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