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Opinião

GUERRA DO A��CAR VISTA POR ALAGOAS

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Refiro-me à obra histórico-literária A Presença Holandesa ? A História da Guerra do Açúcar Vista por Alagoas, de autoria do professor e historiador Douglas Apratto Tenório e que tem como coautora a historiadora Carmen Lúcia Dantas. O livro faz sequência à publicação do calendário de 2011 da Fapeal, já em sua décima edição, com destaque a temas sociais, econômicos e históricos. Durante o período de 1630 a 1654, os holandeses invadiram e dominaram a Capitania de Pernambuco, da qual fazia parte o atual território de Alagoas. Mas por que guerra do açúcar? ? O principal interesse dos invasores era o açúcar produzido na região em cerca de 150 engenhos, parte deles em Alagoas. De acordo com a pesquisa retratada no livro, em 1639, foram exportados do Brasil para a Holanda 33 mil sacas de açúcar. A produção da Capitania era estimada em 60 mil sacas. Se Calabar nos é bastante conhecido, fatos outros constituem novidade como a chegada de uma tropa holandesa à Pajuçara, precedida por um grupo de reconhecimento que percorreu a costa alagoana, desde Porto de Pedras até Maceió e que ?descobriram extasiados com a ajuda de índios uma linda enseada de águas azul-turquesa. Aqui é y-oçara, diz um indígena ? atual Pajuçara ? e mais adiante, ali é y-araguá ? atual Jaraguá. Essa referência está contida num diário holandês?. Uma guinada agora de 180 graus sobre um tema semelhante. Na semana passada, fui a Recife participar do lançamento da obra do médico escritor Waldênio Porto, Olinda Abrasada, em que ele faz uma viagem imaginária à velha Olinda, de 1627, palco de tantas batalhas entre portugueses e holandeses. Tento repetir uma de suas alusões no lançamento desse novo romance de sua autoria: ?Ando pelas ruas antigas de Olinda ouvindo os velhos sinos, música que atravessa os séculos?. E como Douglas Apratto, refere-se à guerra do açúcar. O gosto e o amargo do açúcar tão desejado, doce pelo bom gosto, delicia das papilas gustativas e amargo por lembrar o sangue, suor e lágrimas dos africanos no eito e no trabalho de sol a sol. Na volta dessa viagem relembrei Penedo ? onde passei minha adolescência ? onde foi construído o forte holandês Maurício de Nassau, palco de tantas batalhas, heroísmos e crueldades.

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