Opinião
Um v�cio perigoso para a cidadania
Novamente, a repetição de uma atitude condenável conduz-nos a bater na mesma tecla. Banalizam-se as formas de protesto que buscam causar prejuízos à população. A mais recente ocorrência deste vezo antidemocrático pode ser identificada na manifestação de motoristas contra as péssimas condições da rodovia AL-110. Insistimos: a justeza do fato denunciado não pode servir de ?salvo-conduto? para injustiças cometidas, deliberadamente, ao se protestar contra algo. Reagir contra a deplorável manutenção de um logradouro é algo meritório. Nada mais justo do que a recuperação e manutenção de todas as vias alagoanas, mas a interrupção do tráfego por horas a fio tornou-se um vício daninho marcado pela mais candente impunidade. No caso de anteontem, o trânsito foi completamente interditado por seis horas, entre Palmeira dos Índios e Quebrangulo. Mais uma vez, fogueiras foram perigosamente acesas no meio da pista. E, como sempre, o governo não demonstrou nenhum interesse em cobrar responsabilidades dos arruaceiros. Por sua vez, depois de se cansarem com a bagunça impune, as ?lideranças? conformaram-se com a vaga promessa de que as obras tapa-buracos seriam iniciadas em ?duas semanas?. Falha multiplamente o governo. Primeiro, por abandonar os trabalhos, que deveriam ser cotidianos, de conservação das rodovias. Segundo, por ser leniente com manifestações agressivas que, invariavelmente, prejudicam a população. Terceiro, por negociar soluções vagas, com datas e metas imprecisas, numa espécie de estímulo às próximas bagunças. Tão escrachada está a realidade de atos de bandalhice e vandalismo serem apresentados como ?atos de protesto?, que o próprio presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas se viu impelido a se insurgir enquanto cidadão e, com as próprias mãos, desarmar um meliante que teve o atrevimento de desferir uma violenta paulada contra o veículo onde magistrados se dirigiam a ato com a presença da presidente da República. Uma lição de cidadania que deveria ser entendida e seguida por todos os segmentos dos poderes públicos.